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As pessoas distintas e a edição desonesta

Em continuação ao texto: “Onde estão as três pessoas distintas?”

Comentamos anteriormente que a nova redação do 2° ponto de fé permite a confusão com o credo unicista e que são frágeis os argumentos dos que são favoráveis à mudança. Porém não foi discutido porque o artigo precisou ser editado, o que só podemos fazer sob especulações porque a razão disso tudo nos foi ocultada. Ao meu ver, foi uma medida desnecessária. No que a expressão “há três pessoas distintas” teria incomodado o Conselho de Anciães a ponto de retirá-la do artigo?

Tão controversa quanto a edição do ponto de doutrina é a própria doutrina da Trindade, muitos tentam refutá-la como não sendo uma autêntica doutrina bíblica mas uma invenção papal e católica; A CCB poderia estar tentando evitar a polêmica universal que envolve a crença na trindade.

Em fóruns de debates que participei muito irmãos se declararam unicistas e, até mesmo, unitarianos*. Percebi ali uma Torre de Babel doutrinária.  Houve quem  denunciasse haver irmãos maçons entre a irmandade e no ministério. Veja também (aqui) o que o irmão Ednelson (Ekklésia Cristiana) respondeu ao comentarista Benício quanto este exclamou: “daqui uns tempos irão colocar gays para exercerem o ministério também”. O que percebemos é que não há unidade doutrinária nem entre a irmandade, nem entre o ministério.

*Os unitários, quem professa o unitarismo (ou unitarianismo) não devem ser confundidos com os Unicistas. Os primeiros entendem que Deus é um e único, o Pai de Jesus Cristo (Ao exemplo das Testemunhas de Jeová). Já os Unicistas entendem que o Pai, o Filho e o Espírito são apenas manifestações diferentes do mesmo Deus. (Wikipédia)

O Conselho de Anciães nos passa a impressão de que não são seguros para explicar e ensinar a trindade, portanto, intencionalmente teria deixado vaga a Declaração e incerta a nossa posição teológica; tentando conciliar os credos redigindo uma redação que agradaria tanto os trinitaristas como os unicistas – Em unidade estão O Pai, o Filho e o Espírito Santo, mas sem dizer como; e aí cada um crê à sua maneira:

“Irmão, se preocupa em servir a Deus. Se o irmão considera que a Bíblia é a Palavra de Deus, pode crer desta forma, se teu irmão crê que ela contém, deixe-o crer dessa forma. Ninguém vai perder a salvação por causa disso. Nos somos todos imperfeitos, mas o que fazemos de coração para o Senhor, Deus se agrada, o que Deus não se agrada é de criarmos contenda” (em “A contenda por causa do ‘contendo'”)

A unidade na CCB viria dos usos e costumes e da cultura oral; seria apenas na aparência e não na essência. Por isso, admite-se a pluralidade de credos internamente e não se reconhece externamente os crentes de outras igrejas, mesmo sendo trinitaristas, como verdadeiros irmãos na fé.

Se as ” três pessoas são distintas” (que não se confunde com outra) essa posição passiva e conciliadora do Conselho de Anciães não é nada distinta (clara; bem inteligível; nobre; honesta), ao contrário, é desonesta e perniciosa. Desonesta porque foi feita às escuras, sem convenção, sem comunicação. Perniciosa porque, ao contrário do que diz nossa cultura oral, a salvação não é estar na Congregação – É professar a fé verdadeira.

Quanto a Doutrina da Trindade ser legítima e bíblica, não será preciso comentar. O texto “2º  Ponto Doutrinário: Doutrina da Trindade” do nosso irmão Romário Cardoso que pretendia, ou esperávamos que fosse uma defesa a favor da mudança, na verdade é uma explanação perfeita e ‘plausível’ da Doutrina da Trindade e uma perfeita refutação ao Unicismo.

Conclusão. O Conselho de Anciães do Brás agindo desonesta, obscura e conciliadoramente (politicamente) retirou as “três pessoas distintas” do texto do artigo de fé. Ao querer evitar a polêmica externa e universal, criou uma controvérsia interna e denominacional; Ao querer conciliar credos diferentes, acabará por dividir a irmandade co-eleita.


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Onde estão as três pessoas distintas?

O hinário 5 trouxe novos hinos e também nos apresentou uma nova edição dos pontos de doutrina e fé da CCB, o que vem provocando muita controvérsia entre nós membros. Comentaremos a respeito do artigo 2:

Hinário 4: “2. Nós cremos que há um só Deus vivente e verdadeiro, eterno e de infinito poder, Criador de todas as coisas, em cuja unidade há três pessoas distintas; o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Ef., 4:6; Mat., 28:19; I João, 5:7)”

Hinário 5: “2. Nós cremos que há um só Deus vivente e verdadeiro, eterno e de infinito poder, Criador de todas as coisas, em cuja unidade estão o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Efésios, 4:6; Mateus, 28:19; I João, 5:7)”

A afirmação “há três pessoas distintas” foi substituída pelo verbo “estão”. Entre os que já estavam atentos à edição, há os que são contrários e argumentam que a Declaração ficou indefinida podendo ser confundida com o credo unicista; e os que são favoráveis e argumentam que o texto ficou melhor, mais objetivo e não deixa nenhuma dúvida. Os últimos negam que existe confusão porque para ser uma Declaração Unicista o verbo estaria no singular. Para estes o verbo na 3ª pessoa do plural resolve todos os problemas porque “Ao dizer “estão” em vez de está (singular), reforça-se a pluralidade de pessoas” . (apologiadidacheccb.blogspot.com.br)

Precisamos definir o que é credo trinitarista e unicista:

Nós trinitaristas cremos no único Deus em cuja unidade há três pessoas divinas distinguindo o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Doutrina da Trindade).

Os unicistas crêem no único Deus em cuja unidade há três manifestações divinas sem fazer distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Doutrina da Unicidade).

Ao ler o 2º ponto de doutrina no Hinário 5, o trinitarista entenderá: “…em cuja unidade estão [as pessoas divinas:] o Pai, o Filho e o Espírito Santo”; Enquanto o unicista ao ler o mesmo artigo entenderá: “…em cuja unidade estão [as manifestações divinas:] o Pai, o Filho e o Espírito Santo”. A redação permite duas interpretações.

Já mostrado que o argumento dos que são contrários à edição dos pontos de doutrina é consistente, vamos atrás de derrubar os argumentos dos que são favoráveis:

1. O “estão” já diz tudo.

Ao dizer “estão” em vez de está (singular), reforça-se a pluralidade de pessoas (ou coisas) – Esta é a regra, porém para toda regra existem exceções. Vejamos:

“As três coisas que mais amo na vida são: você, você e você” – Aqui o verbo foi usado no plural não para indicar pluralidade de pessoas,  e sim para indicar o grau, a intensidade do amor por uma pessoa.

“No banco está sentada Maria e seus dois irmãos” – Quantas pessoas estão sentadas no banco? Três pessoas e, no entanto, o verbo está no singular.

Vejam como escrevi com o verbo no singular como também poderia ter escrito no plural: “Então na Bíblia haveria a inspiração divina, a inspiração diabólica e a inspiração humana; estaria O Criador, a criatura e o Mentiroso falando pelas Escrituras” (Blog Bereiano – “Ricardo x Romário”)

2. Sem dúvida ou confusão.

“Os amores da minha vida são a funcionária da pizzaria, minha mulher e a mãe dos meus filhos” – De quantas pessoas estou falando? Quem me conhece poderá confirmar que estou falando de uma pessoa apenas, mas quem não me conhece não poderá assegurar isto, o mínimo raciocínio o fará especular: A funcionária da pizzaria é uma amante? A mãe de seus filhos é ex-mulher? Este que não me conhece precisaria fazer uma pesquisa para saber a quantas mulheres me refiro. O mesmo acontecerá quando um pesquisador que, não conhece a CCB, ler o artigo isoladamente, ele não saberá – nem poderá – dizer se nossa igreja é trinitarista ou unicista, pois, agora, o texto deixou de ser específico, precisando examinar outros pontos ou aspectos da CCB para então classificá-la. O artigo deve ser direto e categórico e não subjutivo.

A Declaração de Fé é a carteira de identidade da igreja, necessita mostrar a face e não o perfil ou de costas.

3. Unicista só no singular.

Para ser uma Declaração unicista o verbo obrigatoriamente estaria no singular ficando: “…em cuja unidade está o Pai, o Filho e o Espírito Santo”. É aqui que caem feio do cavalo; Nossa Declaração Trinitarista no hinário 4, foi redigida com o verbo no singular: “em cuja unidade (está; [co]existe) três pessoas distintas”; Segundo os argumentos apresentados, para estar correta ela deveria ter sido escrita no plural: “em cuja unidade hão (estão; [co]existem) três pessoas distintas”.

É tudo uma questão com o que o verbo vai concordar, vocês não concordam? E para verem como são as coisas, ao digitar o texto atual do 2º ponto de doutrina, o ‘Word’ grifou em verde o “estão” e sugeriu para colocar “está”, façam o teste.

Conclusão. A edição histórica é precisa enquanto a editada é subjetiva. Eu já tinha comentado a respeito do 1º ponto: “Caríssimos, isto não se trata de um ‘joguinho de palavras’ como afirmarão e defenderão muitos, se trata da nossa fé. Não é a língua portuguesa que estamos discutindo, e sim a posição teológica embandeirada em cada declaração” (Bereiano em “Mudança do 1º Ponto de Doutrina – Seja anátema”).

Reflexão. Os irmãos se lembram daquela típica pergunta da aula de português: “Onde está o sujeito na frase?” – Eu pergunto (referindo-me à expressão): “Onde estão as três pessoas distintas?” No verbo é que não “estão”. A expressão é caracteristica e reconhecidamente trinitariana. Se aceitamos e professamos a Doutrina da Trindade, por que não aceitamos e mudamos o que dela está convencionado há mais de 1500 anos?

Continua…

 

Obs.: Esta é a 1ª parte de um texto, sendo necessário ler as duas partes para emitir comentário. Não foi uma refutação direta ao texto do Romário mas aos vários irmãos que apresentaram estes argumentos. (Réplica Romário)

Ricardo x Romário

Nota inicial: A nota do rodapé mereceu vir para o cabeçalho do texto para não permitir que se forme um clima de guerra e por interpretação particular sejam instigados os ânimos e semeado a discórdia entre nós dois. Ao contrário do que poderia supor o marqueteiro título, tenho o meu irmão em grande estima, isto não é um confronto de nossas pessoas, apenas de nossas idéias, isto não se transformará num espetáculo para quem lê os dois blogs, trata-se de um exercício democrático onde podemos emitir opinião, e embora sejam elas discordantes não nos fazem adversários e sim contribuintes de um processo da identidade do grupo, daquilo em que “Nós cremos…”

Romário é mais gramático enquanto Ricardo é mais poético. O primeiro é um engenheiro da língua que se preocupa com a estrutura das frases e palavras enquanto o segundo mais arquiteto e se preocupa com a forma e a beleza. Ele, mais experiente nos livros, usa muitas referências bibliográficas; eu, com mais tempo como blogueiro, confio mais na experiência prática. Um é mais meticuloso e busca a razão pra convencer, outro mais espirituoso (não disse espiritual) e busca também a emoção pra comover.

Tenho acompanhado o Blog do Romário desde seu início, porém me privado de comentar ali, para não gerar debates intermináveis, conforme experiência adquirida nos fóruns de debates, onde todos queriam ter a última palavra para não parecerem vencidos. A questão aqui não é vencer e convencer, é crer. E isto é mais fé  que razão. Por isso, com todo o respeito e admiração que tenho pelo nosso irmão não farei comentários após o texto, e ele usará do direito à resposta em seu próprio blog.

Abraços a Romário e boa leitura seguidores!

(mais…)

Rasgando o ‘VÉUbo’

O irmão Marcelo Ferreira, ex-membro da Congregação Cristã no Brasil – CCB e autor do livro “Por Trás do Véu”, concedeu uma entrevista ao blog PORTALCCB; onde fala sobre o centenário da CCB; do Livro, evidentemente; da vida extra-CCB e do seu ingresso na Igreja Batista em São Paulo.

O “Lutero da CCB”, como gosto de chamá-lo, porque o episódio da reunião de Marcelo com o Conselho de Anciães ocorrido no Brás (sede da CCB), lembra-me muito uma cena do filme “LUTERO” na qual o reformador é levado na presença do Papa. Nessa audiência com o Líder Máximo da Igreja Romana, Lutero deveria apenas ouvir Sua Santidade o Papa e após deferido uma sentença dizer apena uma palavra – REVOCO – renunciando suas obras e reconhecendo a soberania e a infabilidade da Mãe-Igreja; porém, Lutero começa a interrogar o Sacerdote que não sabe replicar-lhe e enfurecido toma uma decisão arbitrária.

Recomendo o Livro “Por Trás do Véu” porque é o maior registro escrito de nossa história. Admirador do escritor, estou agora decepcionado com o falador. A declaração que o batismo ministrado na CCB “não é bíblico nem cristão” choca, até mesmo, os membros da CCB simpatizantes de Marcelo Ferreira:

Portal – Primeiramente, como tem sido esses dias, após sua exclusão da CCB, você se tornou membro de alguma igreja ou comunidade cristã?

M. F. – Tem sido dias muito abençoados, de crescimento espiritual e de novos desafios para a glória de Deus. Hoje sou membro de uma Igreja Batista em São Paulo.

Portal – Soubemos que você foi batizado nesta igreja, é verdade? Porque?

M. F. – Sim, é verdade. Após analisar profundamente as doutrinas da CCB e refletir sobre a Palavra de Deus, cheguei a conclusão que não havia recebido um Batismo bíblico cristão, portanto, não havia cumprido o mandamento do Senhor Jesus de forma consciente, bíblica e correta.

O motivo é simples, a CCB prega e realiza um batismo para “perdão de pecados” e “para a salvação da alma”, e isto não é o que o Evangelho ensina.

O Batismo cristão é para os salvos, para os que nasceram de novo, sendo um mandamento do Senhor e um testemunho público para a Igreja daquilo que Jesus Cristo já operou em sua vida através de Sua Obra consumada na cruz do Calvário. Quem perdoa pecados e nos dá a salvação é o Senhor, não o ato do Batismo. (João 3.16; 1 João 1.7)

Verdadeiramente o batismo não perdoa os pecados, não salva e nem complementa a salvação. O batismo é uma obra visível ministrada pelo homem que simboliza a obra invisível ministrada pelo Espírito Santo; mesmo havendo dificuldades para nossos ministros entendê-lo assim, não podemos de forma alguma dizer que não é válido porque invocando a autoridade do Senhor Jesus fomos batizados Em Nome do Pai,  do Filho e do Espírito Santo.

Ora sempre defendi com base bíblica a validade dos batismos efetuados em outras igrejas evangélicas e condenei o rebatismo obrigatório na CCB, agora deverei ser apologeta e defender o batismo da CCB, e, ironicamente, de um ex-membro que batalhava comigo. O batismo da CCB é bíblico e válido; não é  melhor e nem pior que teu último batismo, irmão Marcelo.

O ponto 5° da Confissão de Fé (oficial) da CCB diz: Nós cremos que a regeneração [justificação, santificação e redenção] ou o novo nascimento, só se recebe pela fé em Jesus Cristo. O ponto que fala do batismo nas águas é o 6° que só fala da fórmula e condição – Nós cremos no batismo na água com uma só irmersão, em Nome de Jesus Cristo (At 2:38) e em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28:18,19).

O ponto nº 7  fala de um outro batismo – Nós cremos no batismo do Espírito Santo, com evidência de novas línguas, conforme o Espírito Santo concede que se fale. (At 2:4; 10:45-47: 19:6); Pergunto: irmão Marcelo renunciaste também a este batismo? Porque os batistas históricamente são opositores dos pentecostais e não creêm neste batismo para atualidade. O irmão dirá a eles que estão errados escrevendo um livro sobre os Dons Espirituais? O caro irmão tem liberdade de manifestar o dom de línguas nos templos batista? Aí entre os batistas o irmão falará em línguas ou se calará?

Marcelo rasgou o véu;

Eu, Ricardo, rasgo o verbo;

Muitos rasgarão o livro.