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Você é organista na CCB? Então precisa conhecer esta história:

leilaVerso áureo: “E pôs um cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus”

Leila ou Lelia Naylor nasceu no dia 15/04/1862 em Pennsville, uma pequena cidade do Estado de Ohio-EUA. Passou sua infância nas cidades de Malta e McConnelsville. Adolescente aprendeu costura, tricô e crochê. Interressou-se por música, quando ela começou a ter aulas de piano precisou  praticar na casa de um vizinho, porque a família não podia comprar um instrumento.

A situação financeira viria a piorar: Leila sofreu a perda de seu pai ainda muito jovem; para sustentar cinco filhos, sua mãe abriu uma loja de chapéus. Leila começou a tocar o órgão nas reuniões de oração, quando ela tinha apenas 12 anos de idade. Algumas fontes dizem que seu estudo foi prejudicado e seu ingresso como organista nos cultos foi retardado porque tinha poucas horas para estudar.

Em 1881, com 19 anos, casou-se com Charles H. Gabriel Morris e transferiu sua filiação à igreja do marido –  a Igreja Metodista Episcopal da Trindade. Foi muito atuante nesta igreja que tendia para o movimento ‘holiness’ (santidade). O casal frequentava muito os populares ‘camp meetings’, acampamentos de verão da época, que visava a evangelização e levar os crentes a uma vida mais santa.

Esposa submissa e dedicada dona-de-casa, costureira no lar e organista na igreja, próximo dos seus 30 anos sua vida era comum a tantas mulheres da sua congregação, quando em 1890 começou a compor hinos incentivada pelo hinista e publicador H. L. Gilmore. A partir daí Leila Naylor Morris ou Mrs (Sra.) C. H. Morris – como, muitas vezes, assinou as partituras – se tornaria a mais prolífica autora evangélica com mais de 1000 composições publicadas nos diversos cancioneiros (hinários).

Evangelistas rapidamente começaram a usar os primeiros hinos em suas missões, o trabalho deles foi muito beneficiado pelos cânticos,  que ao mesmo tempo eram divulgados. Muitas letras desta compositora foram escritas durante os encontros campais (atuais retiros espirituais) ou na volta para casa. A Sra. Morris se tornou tão conhecida nestas reuniões e admirada pelos seus hinos, que estando presente numa reunião campal (culto ao ar livre) ou serviço de renascimento (batismo), era convidada a sentar-se na plataforma (sentar-se com o ministério, como dizemos).

Por volta de 1913, esta talentosa organista começou a perder a visão. Seu filho construiu um enorme quadro negro que ultrapassava os padrões normais e pintou nele as claves e o pentagrama de tal forma que permitiram a mãe continuar seu ministério de compor hinos.

Mas a lousa especial com mais de 8,5 metros de comprimento, lhe serviu por pouco tempo. Dentro de um ano ficou completamente cega, e apesar de sua visão perdida continuou a escrever as letras de canções gospel com a ajuda de amigos dedicados. Mas isto era pouco para o seu talento.

Leila passou as letras mas guardou as músicas em sua memória, até que sua filha Fanny, também musicista, veio para uma visita anual. Leila ditou dezenas de canções – letra e música – a filha e a ensinou escrever as partituras.

Sua [outra] filha Mary e o esposo desta foram chamados para serem missionários na China, muitas pessoas diziam que Mary deveria ficar em casa cuidando da mãe cega, o que a deixava muito angustiada, mas ouviu da mãe: “Meu ministério está encerrado, vá cumprir o seu”.

placa leilaLeila Naylor Morris morreu em 23 de julho de 1929, na cidade de Auburn, estado de Nova Iorque, na casa de sua filha, e encontra-se enterrada em McConnelsville, Ohio.

A menina que não tinha dinheiro para comprar um órgão, que reprovou em alguns testes porque tinha poucas horas para estudar, tornou-se a maior hinista da igreja.

O “Hinos de Louvores e Súplicas a Deus” – hinário oficial da Congregação Cristã no Brasil – CCB começa com um hino de música de Leila Naylor Morris: “01 – Cristo meu Mestre”, cujo o título original é “Nearer, still nearer” (Mais perto, ainda mais perto) e foi traduzido em muitos hinários como : Bem junto a Cristo.

Baseado no verso áureo Elton menno Roth compôs o hino 89, atual “273 – Jesus me deu celeste hino”, nele cantamos: “Tenho em mim um hino ao Criador”; Se um hino já faz transbordar nossa alma, o quanto ela se exultará com mil?

Além de “01 – Cristo meu mestre”, eis os hinos que constam no hinário CCB de autoria de Mrs. C. H. Morris:

012 – Cristo nos dará da Sua plenitude    [307 – Hinário 5]

029 – Bem-aventurados vós…      [309 – Galardão nos espera]

086 – Na mansão do meu Senhor.

116 – Um tesouro glorioso achei.    [54 – ]

159 – A Rocha celestial     [5 – ]

161 – Só o sangue de Jesus.  [405 – Só por Cristo temos salvação]

166 – Avante, vamos a Sião.  [233 – Avante Santos e fiéis de Deus]

175 – Remiu-nos por graça.  [257 – ]

181 – Vou à eternal Sião.    [344 – Vou encontrar com Deus]

229 – Mui breve virá, mui breve virá [381 – ]

267 – A ti Deus, eu consagrei-me.  [355 – ]

291 – Eis que a noite é passada. [239 – ]

349 – Por fé seguimos o Senhor  [337 – ]

353 – Teu Nome é sublime. [296 – Teu nome é soberano, ó Redentor]

377 – Vem, vem consolar-me.  [ 91 – ]

420 – Alegria sinto em servir Jesus. [436 – ]

438 – Vamos nos preparar. [ 459 – ]

Se um hino já faz transbordar nossa alma, o quanto ela se exultará com mil?

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Fonte: (nos comentários)

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Rosa de Saron – a flor e o hino

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Rosa de Saron

Verso áureo: “Eu sou a rosa de Saron, o lírio dos vales” (Cantares 2:1)

Rosa de Saron ou Hibisco-da-Síria (Hibiscus syriacus) é uma planta arbustiva muito florífera, que pode chegar a 3 metros de altura e suas flores de beleza ímpar produzem um doce perfume. A Bíblia menciona a Rosa de Saron, em hebraico Havatzelet Hasharon, que na realidade é uma espécie de lírio branco com pequenos detalhes dourados. (Saiba mais aqui).

Saron é a planície litorânea imediatamente ao sul do monte Carmelo. Em Isaías 35:2 foi chamado de lugar excelente. (ver mais fotos)

S. S. Wesley“Ó Rosa de Saron” era o título de um dos hinos mais tradicionais cantados na Congregação Cristã no Brasil – CCB. Sua música é composição de Samuel Sebastian Wesley (14 August 1810 – 19 April 1876), neto de Charles Wesley que era irmão de John Wesley, fundador da Igreja Metodista. Samuel foi batizado com o nome de seu pai acrescido de Sebastian em homenagem a Bach (Johann Sebastian Bach, 31 March 1685 – 28 July 1750).

O hinário da CCB passou por uma revisão e na versão atual não verificamos mais a expressão e, consequentemente, o título “Rosa de Saron”. Por que retiraram a ‘flor preciosa’ do hino? A comissão nomeada para revisar o hinário não explicou o motivo desta, e de nenhuma outra, mudança. Apenas é dito: “Foram mudanças que se fizeram necessárias”.

Existe uma controvérsia no meio cristão: Uns entendem que “Rosa de Saron – o Lírio dos vales” refere-se ao Senhor Jesus, enquanto outros atribuem à Igreja. Isto é verificado em muitos cânticos das várias denominações. No hinário da CCB, Rosa de Saron é a Igreja; Já na Harpa Cristã no hino 196 – “Flor gloriosa”, Rosa de Saron é aplicado a Jesus, e no 198 – “Jesus, o bom amigo” é cantado: “…dos vales és o lírio”.

Se fizer uma busca, você achará muitos artigos bem elaborados defendendo ambas interpretações. São de opinião que o título aplica-se à Igreja: Pastor Ciro Zibordi, Mario Persona, Pastor Marcelo Oliveira, entre outros.

Expondo idéias com irmãos da Asamblea Cristiana Argentina (Assembleia Cristã Argentina), compartilharam que também entendem que Jesus é a Rosa de Saron; no debate foi aventado que os revisores teriam interpretado que ‘Rosa de Saron’ é uma referência simbólica do Senhor Jesus e não da sua igreja, ou, se não foram unânimes, entraram em consenso e haveriam feito as alterações para evitar polêmicas.

Cantares de Salomão ou Cântico dos cânticos é a narração de um episódio no romance entre Salomão e Sulamita que figura com linguagem poética a união de Jeová com a nação de Israel. Também figura com linguagem profética a união de Jesus e sua Igreja.

O capítulo 2 inicia-se com a exclamação: “Eu sou a rosa de Saron, o lírio dos vales”. A controversa é quem teria feito esta declaração – o noivo ou sua amada?

Estou seguro de que foi a noiva. A divisão dos capítulos e a ausência do travessão nos diálogos confundem, mas os versos 1:16,17  e 2:1, compreendem a mesma fala. Na Bíblia de Jerusalém das Edições Paulinas está bem destacado poema por poema; quando é estrofe, quando é coro; quando é falado e quando é cantado; quem fala e quando fala; quando cantam em solo ou em dueto. A tradução abaixo é a Almeida Revista e Corrigida:

[a noiva] 13 O meu amado é para mim um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios. 14 Como um cacho de Chipre nas vinhas de En-gedí, é para mim o meu amado.

[amado] 15 Eis que és formosa, ó amiga minha, eis que é formosa; os teus olhos são como os das pombas.

[a noiva] 16 Eis que és gentil e agradável, ó meu amado; o nosso leito é viçoso. 17 As traves de nossa casa são de cedro, as varandas, de cipreste. 1 Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.

[amado] 2 Qual o lírio entre espinhos, tal é a minha amiga [amada; querida] entre as filhas.

Rose of Sharon-Hibiscus syriacus1O noivo retoma a sua fala (em resposta) a partir do verso 2:2 e deixa claro:  “o lírio… é a minha amada”.

Contribuem para a confusão as traduções que substituíram “minha querida; minha amiga; minha amada” por “meu amor”  como ocorre na versão online, confundindo a pessoa amada com o sentimento:

“Qual o lírio entre os espinhos, tal é o meu amor entre as filhas” (Bíbliaonline)

No blog Harpa Digital, já perceberam o equívoco e sugeriram uma mudança aos moldes da CCB. Sobre a letra do hino CCB 360 – “Ó Rosa de Saron”, o comentarista Paulo Sobrinho elogia: “SÃO LETRAS TOTALMENTE ESCRITAS COM MUITO CUIDADO PARA REALMENTE CANTAR A PALAVRA DE DEUS”.

Conclusão: Rosa de Saron; Lírio dos Vales; Flor Preciosa na narração refere-se à Sulamita, e são títulos da Igreja – ‘a esposa de Jesus’. Verificamos mais uma mudança desnecessária. A comissão errou se achou que a letra estivesse errada. Enquanto a CCB retirou a flor, outros querem cantá-la corretamente. Se a intenção foi evitar toda a controvérsia só posso dizer que é lamentável. Gosto é gosto! E polêmicas à parte, a versão original é mais bonita que a atual.

02 – De Deus tu és eleita    (Hino revisado)

1. De Deus tu és eleita, Igreja de Jesus;

O teu divino mestre, ‘a glória te conduz;

Prepara-te, pois Ele, mui breve voltará;

A glória que te espera já preparada está.

2. Com celestiais adornos, espera o Teu Senhor

Vestida de justiça e do divino amor;

Dileta és de Cristo que vida te doou

A fim de resgatar-te, teu sangue derramou.

3. É grande a tua glória, Igreja de Jesus,

Consagra-te a Ele, andando em sua luz

Em breve no teu reino, gloriosa entrarás,

E a face do esposo, no céu, contemplarás.

Ouça o hino e veja a versão original:

Cadê a minha bandeira?

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Verso áureo: “E Moisés edificou um altar, ao qual chamou: O SENHOR É A MINHA BANDEIRA” – (Êxodo 17:15).

“ESTÁ O SENHOR NO MEIO DE NÓS OU NÃO?” – Assim os filhos de Israel tentaram ao SENHOR quando a dúvida entrou no coração porque faltou água para beber no deserto, isto suscitou contenda no meio do povo de Deus. Milagrosamente o SENHOR saciou a sede do seu povo fazendo com que água brotasse da rocha, e aquele lugar chamou-se ‘Massá’ e ‘Meribá’, que significa Tentação e Contenda (Êxodo 17:1-7).

Vemos isto por toda a Bíblia: são colocados nomes nos lugares, trocado o nome ou dado títulos a pessoas, para servirem como memorial e não seja esquecido aquilo que Deus fez ou prometeu ao seu povo.

No mesmo capítulo 17 de Êxodo, temos outro exemplo disso: Os versos de 8 a 16 narram uma batalha que o povo de Deus travou contra Amaleque. Enquanto Josué liderava o povo na peleja, Moisés subiu ao monte, “e acontecia que, quando Moisés levantava as suas mãos, Israel prevalecia; mas quando ele abaixava a suas mãos, Amaleque prevalecia” (v.11).

Com o apoio de Arão e Hur, as mãos cansadas e pesadas de Moisés foram mantidas levantadas até que o sol se pôs, e assim Israel teve vitória. Foi ordenado que se fizesse o registro de tudo o que acontecera e levantado um altar que chamaram “YAHVEH NISSI” – O SENHOR É MINHA BANDEIRA.

Na marcha rumo à terra prometida, os filhos de Deus enfrentaram diversas batalhas. Quando os exércitos se armavam para pelejar, cada qual levava à frente seu estandarte. Bandeira; estandarte; pendão; são sinônimos. A flâmula vezes era posta em haste simples, vezes em haste em forma de “T” ou “cruz”. Por isto cantávamos no hino 241- “Soldados valorosos nós somos”: “Pendões arvoraremos…” que significa: A bandeira levantaremos. Na atual versão foi numerado 281 e a frase foi substituída por: “Vitória alcançaremos”.

As palavras do Hino 319 ilustram Êxodo 17:8-16; e mais, seus versos também se baseiam em Efésios 6:10-17 ao citar partes da ‘Armadura de Deus’.

Em Números 21:4-9, a história se repete: Agora o povo reclamava por água e pão, e peca contra o SENHOR. Como castigo Deus enviou uma praga de cobras para afligi-los, mas na sua benevolência, mandou que Moisés fizesse uma serpente de metal e a colocasse sobre uma haste levantada entre o povo, e todos que picados por cobras, ao olhar para a serpente de metal ficavam sãos.

No Evangelho de João, é revelado que a serpente de metal é tipo* do Senhor Jesus: “E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado” – (João 3:14).

YAHVEH (Javé; Jeová) é a bandeira de Israel; Jesus é a bandeira da Igreja.

“E acontecerá naquele dia que a raiz de Jessé, a qual estará posta por estandarte dos povos, será buscada pelos gentios; e o lugar do seu repouso será glorioso” – (Isaías 11:10).

“Assim diz o Senhor DEUS: Eis que levantarei a minha mão para os gentios, e ante os povos arvorarei a minha bandeira” –(Isaías 49:22)

Ontem, no Ensaio Regional em minha cidade, tocamos o hino 90 – “Teu destino é a glória”; que susto e quão grande decepção tive ao perceber, enquanto a organista fazia a introdução, que é o 319 – “Oh! Levanta a bandeira” revisado Toda a letra foi modificada e a bandeira foi ‘rasgada’ do hino.

Na segunda estrofe até faz-se uma alusão às mãos cansadas de Moisés, mas nada comparado à beleza da versão do hinário 4.

As duas versões enfatizam que a jornada é longa e difícil, e procuram nos dar ânimo e restaurar nossas forças nesta dura caminhada. Para manter nosso foco, estão sempre nos lembrando as delícias da vitória e onde temos que chegar. Enquanto a antiga diz: “A Sião tens de chegar”, a nova procura ser mais precisa: “Teu destino é a glória”. Verificamos mais uma vez, a intenção de se retirar referências geográficas dos nossos cânticos. No entanto, A Bíblia nos diz: “Arvorai a bandeira rumo a Sião” – (Jeremias 4:6).

Levantar a Bandeira significa colocar Cristo à frente de nossas vidas; à frente dos nossos negócios; à frente de nossas escolhas. É por a confiança Nele; é anunciá-lo ao mundo (Is 62;10); é mostrar a direção ao perdido (Is 11:12); é estar debaixo da sua proteção (Is 59:19). É batalhar e ter vitória em Seu nome (Jr 4:6).

Jesus é a minha Bandeira, para que eu prevaleça esta deve estar sempre hasteada. Por isso canto: “Oh, levanta a bandeira”.

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“Então temerão o nome do Senhor desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira” – (Isaías 59:19). 

“E levantará um estandarte entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra” – (Isaías 11:12).

“Passai, passai pelas portas; preparai o caminho ao povo; aplanai, aplanai a estrada, limpai-a das pedras; arvorai a bandeira aos povos” – (Isaías 62:10).

“E ele arvorará o estandarte para as nações de longe, e lhes assobiará para que venham desde a extremidade da terra; e eis que virão apressurada e ligeiramente” – (Isaías 5:26).

 *O que é tipo? É quando fatos ou personagens do Velho Testamento são figuras ou representações de fatos ou personagens do Novo Testamento.

Éra A BÍBLIA A PALAVRA

162A

“Mudança na redação não significa mudança de declaração”, exclamam os que apoiam a nova redação dos pontos de fé e doutrina da Congregação Cristã no Brasil – CCB. Já eu considero que a inserção do vocábulo “contendo” permite nova interpretação porque deu novo significado.

Muitos são os indícios que a mudança foi intencional. O hino 162 “É a Bíblia a Palavra” (hinário 4) tornou-se emblemático depois de receber nova versão. Ao ter seus versos substituídos abriu-se um portão de especulações e um fosso de lamentações. Em minha opinião o motivo disso é que a velha versão ficou em desacordo com a nova declaração.

A CCB desde sua fundação jamais incentivou a leitura prática, sistemática e devocional das Escrituras, ao contrário, ensinava por uma conhecida expressão – “A letra mata e o espírito vivifica” – que o estudo bíblico ‘mataria’ a revelação da Palavra nos cultos. Isto afastou consideravelmente seus membros da Bíblia, para muitos não passava de um adereço para ir ao culto e acompanhar a leitura; Permitiu que uma cultura oral se instalasse instantaneamente, tendo por principal característica uma fraseologia peculiar que consistia em versículos tirados do contexto, frases prontas(ditos) ou chavões que expressavam o pensamento e o sentimento denominacional.

Como a CCB valeu-se mais dos ditos que da didática para doutrinar, seus membros que não liam a Bíblia não tinham como refutar alguns ensinamentos saídos dos púlpitos (mas não vindos da Bíblia), nasceu então, uma ideologia ‘ccbiana’, um “outro” evangelho, que foi aceito prontamente sem nenhuma objeção.

Os anciães tiveram grande êxito em propagar a ideia que a CCB era a única Obra de Deus na terra, a “verdadeira graça”; que tudo o que saía do púlpito era revelado por Deus, portanto, inquestionável; que o estudo bíblico não era necessário pois na hora Deus traria o “pão quentinho do céu”.

Na CCB a pregação sempre foi mais valorizada que a Bíblia, eu mesmo já ouvi estes absurdos: “A Bíblia todos (todas as igrejas) têm, mas somente nós (CCB) temos a Palavra de Deus”; “A Bíblia é letra morta nós temos a pura revelação”. Este misticismo é comprovado no hino 401  “Revela Teu Querer” (hinário 5), nele cantamos a vontade de Deus como algo misterioso, diferentemente diz um verso do 162: “Nela (Bíblia) achamos sempre clara a vontade do Senhor”. Vemos aqui que um hino verdadeiramente ortodoxo foi tirado e outro totalmente liberalista* foi colocado.

*Liberatista – a teologia liberal, entre outras coisas, não crê que a Bíblia é a revelação final para o homem.

Ora a Bíblia não está condicionada à pregação, a pregação que está condicionada à Bíblia. Chamam a Bíblia “letra morta”, mas foi a pregação que, muitas vezes, trouxe morte esperitual à muitos. A cultura oral é dia-a-dia vivida mas não assumida, quanto interpelados à respeito, os irmãos retrucam: “Onde está escrito?”

Sem questionamento e gozando de um prestígio que está próximo da veneração, os anciães fizeram e desfizeram, mandaram e desmandaram, mas… também contribuíram grandemente para a formação da identidade denominacional, para a CCB ser o que é hoje – um povo maravilhoso.

Bíblico é fazermos como os bereianos (Atos 17:11): Tudo o que for dito, conferir com o que está escrito. Porém quando você faz isto, às vezes, percebe que o dito não condiz com o escrito e, novamente, a Bíblia nos dá autoridade para contestar e repreender (ler Gálatas 1:8 e 1Co 14:29).

Um efeito prático de não considerarmos que a Bíblia é a Palavra de Deus, é que a autoridade que estava nas nossas mãos passa para a boca do ancião, e então, não posso questioná-lo como somos ensinados: “A Palavra que Deus manda nas congregações não é para ser discutida e sim obedecida, somente assim se honra ao Senhor”. Daí nos enchemos de ensinamentos, tradições, usos e costumes enquanto nos esvaziamos de autêntica doutrina bíblica. (Leia as lamentações de Carlinhos).

Numa igreja onde a Bíblia nunca teve supremacia ou primazia, o que se poderia concluir quando os dois únicos registros que a classificam como Palavra de Deus são modificados?

Na prática a CCB nunca teve a Bíblia como a Palavra de Deus; É  coerente e lógico querer equiparar o escrito (ponto de Doutrina) ao dito, fazendo a teoria corresponder à prática. Deve ser por isso que muitos irmãos ficam indignados e se revoltam comigo quando digo que a CCB ao editar o ponto de doutrina fez nova profissão de fé, na verdade não fizeram nova, mas assumiram a que sempre praticaram.

Se equiparar o artigo à prática foi procediemento; equiparar a prática ao artigo teria sido avivamento.

Doravante orarei por um avivamento bíblico porque dentro de mim derramo a minha alma consternado com a edição do texto e dos versos. Antes, ao menos, no artigo e no hino Éra A BÍBLIA A PALAVRA.

Aprecie a nova versão do hino:

178 – A PALAVRA PRECIOSA

1. A Palavra da verdade, de Deus Pai, O Criador,

Traz dos céus a santidade aos remidos do Senhor.

Coro:

A Palavra preciosa do fiel, vivente Deus,

É espada poderosa que defende os santos seus.

 2. A palavra criadora trouxe ao mundo grande luz,

Pela obra redentora consumada por Jesus.

3. Para sempre permanece a Palavra divinal;

Nossas almas fortalece e protege-nos do mal.

 

Graça Maravilhosa

Contextualizando os versículos da Bíblia com os versos do hino 75.

Pérola de grande valor (Mt 13:46)

1.Graça maravilhosa de Cristo Redentor!
Não há em mim palavras para a descrever!
É dom mui excelente, grande é o seu valor,
Essa graça bendita sinto em meu ser.

Coro: É maravilhosa e sublime a divina graça de Jesus,
            Nada a ela se pode igualar;
           Ela apagou os meus pecados e à glória eterna me conduz,
           Magnífica é a graça que Jesus me veio dar.

2.Graça maravilhosa que trás a salvação,
Por ela dos pecados Cristo me libertou;
Ela se estende a todos a todos dá perdão,
Pois em Cristo Jesus ao homem Deus amou.

3.Graça Maravilhosa concede paz com Deus,
Por sua eficácia transforma o coração;
Essa bendita graça pode levar aos céus,
Onde Cristo dará aos santos galardão.

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