É ler para crer!

   Preocupado com a escassez do falar em línguas e outros dons espirituais em minha igreja, passei a meditar e escrever sobre o batismo de fogo (um modo de me referir a tal obra). Sinto alegria e necessidade de aprender mais com relação a Pessoa e a Obra do Espírito Santo. Os comentários tem sido uma ajuda valiosa e compartilho com os leitores que já estou colhendo frutos desse trabalho.

   O assunto é edificante quanto controverso. Aqui neste blog, já nos deparamos com algumas opiniões diferentes. Pudera, ‘ao longo da história da igreja cristã, muitas foram as contradições doutrinárias acerca do batismo com o Espírito Santo. Uns alegam que o falar noutras línguas foi um fenômeno circunscrito ao período apostólico. Outros o confundem com a salvação e a santificação’.

   Vejo que se faz necessário discorrer um pouco mais quanto sua definição. Oportunamente, chegou às minhas mãos, a revista CPAD Lições Bíblicas 2º trimestre de 2011. NA lição 3, o redator preocupou-se em definir “O que é o batismo do Espírito Santo”. Gosto de estudar, mas não de explicar com muita teologia. Por esta vez, serie um pouco metódico. Me permitam utilizar deste recurso, mesclando minhas palavras com as da revista (em itálico).

   No post anterior contei três experiências próprias com o objetivo de distingui-las  – A visitação inicial do Espírito que é um tipo de batismo; o batismo nas águas propriamente dito; e o batismo com evidência de línguas. Na CCB nunca tratamos esta primeira experiência como batismo por causa da forma peculiar que cremos no “Chamado” de Deus. Segundo creêm, este chamado ocorre exclusivamente durante a realização de um batismo; e a regeneração se dará durante a imersão nas águas. Se o pecador ouvir/sentir este chamado deve “obedecer”, que é batizar. Enquanto que em outros grupos aceita-se Jesus com um “SIM”, na CCB , quem crê, deve demonstrar batizando-se imediatamente. Conversão (regeneração; novo nascimento) e batismo nas águas acontecem ao mesmo tempo. Não raro, muitos recebem o sinal de linguas no tanque de batismo.

   Seja como for, o novo nascimento (batismo invisível) e o batismo nas águas (simbolo visível), dizem respeito ao pecador. Já o batismo com evidência de falar línguas, é uma dádiva reservada para os crentes/salvos. Pode haver conversão e novo nascimento bem antes ou bem depois do batismo nas águas. Mas jamais haverá batismo com evidência de línguas sem verdadeira conversão. Desse modo, consideremos:

I – O QUE NÃO É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

1. Não é a regeneração espiritual do pecador. Na obra regeneradora, o Espírito Santo transmite nova vida ao pecador conforme o texto de 2 Corintios 5:17: “Quem está em Cristo nova criatura é; as coisa velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Mas na experiência, após a conversão, o crente é revestido com o poder do alto para testemunhar eficazmente de Jesus Cristo. Sabemos que todos os salvos em Cristo têm o Espírito Santo (Jo 20:22), mas nem todos os salvos sõ batizados com o Espírito Santo no momento da conversão.

2. Não é o batismo no corpo de Cristo. Muitos confundem-se por não fazerem uma exegese correta de 1 Corintios 12:13: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formado um corpo, quer judeus,quer gregos, quer servos, quer, livres, e todos temos bebido de um Espírito”.  Paulo não faz aqui nenhuma referência ao batismo com o Espírito Santo, nem ao batismo em águas. William Menzies, teólogo pentecostal, explica que: “Nós somos batizados pelo Espírito em Cristo – isso é regeneração, novo nascmento”. Mais adiante, acrescenta: “Nós somos batizados com o Espírito por Cristo – essa é a capacitação para servir e ministrar!”.

3. Não é experiência exclusiva dos dias apostólicos. Os cessacionistas negam a atualidade do batismo com o Espírito Santo com a evidência inicial do falar noutras línguas, ensinando que o fenômeno foi um sinal apenas para o dias apostólicos. Todavia, não encontramos nada nas Escrituras que prove que o falar em línguas seja uma experiência restrita à igreja primitiva. Ao contrário, a Bíblia e a própria experiência demonstram a plena atualidade da promessa (At 2:39; 9:17; 19:1-6).

II – O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

O batismo com o Espírito Santo é uma experiência subsequente à salvação, concedida por Deus aos seus servos, tornando-os aptos a cumprir a missão de pregar o Evangelho. (Elienai Cabral);

É uma imersão do crente no espiritual e sobrenatural de Deus, habilitando-os a realizar, com eficácia, a obra do Senhor Jesus. (Pr Antonio gilberto).

É um revestimento de poder do alto que nos confere uma convicção absurda (total) da vontade e planos de Deus  para nossas vias; e uma capacitação extraordinária para cumprirmos o seu querer. É um fortalecimento que nos consola em meio as aflições (a ponto de ignorá-las) e nos faz triunfar em meio as provações. (Ricardo alexandre).

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Comentários em: "O que é o batismo com o Espírito Santo" (3)

  1. Ricardo,

    Antes de fazer minhas considerações pessoais, gostaria de dizer – aliás, repetir – que arrisco em dizer, sem receio de ser traduzido como ‘babação’, que admiro ‘denominacionais’ assim como você, que mesmo defendendo a própria denominação ocupa-se em derrubar os mitos e as tradições que foram acrescentadas à Palavra ao longo do tempo. E, claro, sempre com o intuito, não de esclarecer intelectualmente, mas para ser aplicado na vida para mostrar ‘um caminho sobremodo excelente’, uma vida abundante, uma boa qualidade de vida sem as neuroses da religião imposta.

    Em relação ao ‘batismo no ES’ – que é único – peço-lhe que preste atenção em SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS, despido de qualquer denominacionismo:

    “É um revestimento de poder do alto que nos confere uma convicção absurda (total) da vontade e planos de Deus para nossas vidas; e uma capacitação extraordinária para cumprirmos o seu querer. É um fortalecimento que nos consola em meio as aflições (a ponto de ignorá-las) e nos faz triunfar em meio as provações”. (Ricardo Alexandre).

    O que eu achei curioso é que isso que você descreve aqui nessa sua PRIMEIRA pontuação sobre sua explicação de ‘O QUE NÃO É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO’, é exatamente o que diz a frase afixada lá no meu blog – em outras palavras – acerca de regeneração ou ‘batismo no ES’:

    “… Paulo diz que o Espírito é dado quando se crê no Evangelho. A plenitude do Espírito, tanto pode acontecer numa experiência ‘súbita’ como pode ser ‘gradual’. Tanto a ‘súbita’ quanto a ‘gradual’ precisam ser mantidas. Ninguém fica cheio do Espírito para sempre, como se fosse um status. Ficamos cheios do Espírito na mesma medida em que ficamos cheios da consciência da Graça de Deus. E a consciência da Graça de Deus desemboca sempre no Andar no Espírito. E o andar no Espírito acontece, conforme Gálatas e Romanos, como caminho de fé, esperança e amor. Não há pessoas cheias do Espírito que também não sejam cheias de amor e misericórdia”.

    Observe que palavras utilizadas por você, tais como ‘convicção absurda’ , ‘capacitação extraordinária’, ‘fortalecimento’ expressando-se acerca de ‘revestimento do poder do Alto’ não são, NADA MAIS, NADA MENOS, o que diz na essência do ‘meu’ texto:

    “… Ficamos cheios do Espírito na mesma medida em que ficamos cheios da consciência da Graça de Deus. E a consciência da Graça de Deus desemboca sempre no Andar no Espírito. E o andar no Espírito acontece, conforme Gálatas e Romanos, como caminho de fé, esperança e amor. Não há pessoas cheias do Espírito que também não sejam cheias de amor e misericórdia”.

    Ainda em outras palavras:

    Deus nos regenera em Cristo para que vivamos para a sua glória. Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Isso é estar crucificado com Cristo e em Cristo. Isso, trazendo para a vida prática, significa que Deus, por sua graça, quer que reflitamos o caráter de Cristo em nosso viver diário. E isso, nenhuma denominação é capaz de fazer por meio de suas doutrinações, (o que, aliás, é disso que venho falando). Isso é ação do Espírito Santo em nossas vidas e que não depende de hora marcada em nenhuma igreja, de nenhum dirigente espiritual, como aconteceu com você, por exemplo, totalmente fora dos muros religiosos, e também assim como aconteceu comigo essa ‘visitação’, (no percurso, no carro, no caminho, na estrada, na BR, como queiram…) quando estava vindo embora de um retiro espiritual; essa ‘visitação’ inconfundível que nunca mais te larga e que é usada erroneamente como jargão equivocado de visita esporádica de uma entidade poderosa que vem e vai. E que poderia ter sido lá dentro do espaço ‘santo’ mas comigo Deus quis que assim fosse. Você entende quando falo da soberania de um Deus que líderes religiosos querem aprisionar em seu átrios? É isso que falo!

    Pois bem:

    Esse REVESTIMENTO que você mesmo faz referência, só tem como acontecer se, DE FATO, a pessoa estiver ‘em Cristo’ conforme 2C 5.17. As coisas velhas ficaram para trás nessa regeneração. Tudo se fez novo, é outro olhar, outra perspectiva. E esse ‘estar em Cristo’ requer tudo isso que foi dito antes, seja em suas palavras ou nas minhas, pois que têm o mesmo significado.

    A seguir você diz: “Sabemos que todos os salvos em Cristo têm o Espírito Santo citando Jo 20:22. Ora, o que se entende é que Cristo ‘soprou’ aos apóstolos porque Ele estava ali presente. Ele fez isso pessoalmente em seus dias missionários e hoje Deus nos regenera em Cristo para que vivamos para a sua glória. Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Isso é estar crucificado com Cristo e em Cristo. Trazendo isso para a vida prática, significa que Deus, por sua graça, nos capacita a refletirmos o caráter de Cristo em nosso viver cotidiano, no chão da existência onde esse ‘revestimento de poder do alto nos confere uma convicção absurda (total) da vontade e planos de Deus para nossas vidas, uma capacitação extraordinária para cumprirmos o seu querer e um fortalecimento que nos consola em meio as aflições e nos faz triunfar em meio as provações’. (Palavras suas).

    Aí você conclui seu primeiro parecer assim:

    “… mas nem todos os salvos são batizados com o Espírito Santo no momento da conversão”.

    E aí é que entra a controvérsia, maaaaas que diz respeito a crenças de homens, doutrinas de determinada denominação, pois batismo em água não tem nada a ver com conversão propriamente dita. Você mesmo já deve ter visto, assim como eu, batismos que são realizados aos montes em cerimônias e que nada dizem de conversão. Ou seja, tantos batizados em ato mecânico e que em seus corações não há essa consciência do ‘andar em Cristo’. O que se recebe nesse batismo é um pacote de normas a ser seguido e aí é onde entra a controvérsia, por tratar-se de doutrina específica que não tem qualquer ‘poder’ de mudar o coração, a mente, o caráter de alguém. Convenhamos, o que a religião faz, na verdade, é inibir, reprimir, proibir, oprimir.

    O que eu tenho observado, na prática religiosa da CCB, é a confusão dentro da própria denominação em relação a uma crença arraigada na ‘regeneração’ de seus membros, quando eles se submetem ao batismo nas águas da CCB. Quantas vezes não já se ouviu falar admirado “mas ele não se batizou?!” com referência a alguém que continua do mesmo jeitinho, com sua vidinha dissoluta, desregrada, marginalizada e cometendo toda sorte de atos impróprios a um cidadão ‘de bem’, revestido da compaixão e do amor, marcas registradas de um cristão genuíno.

    Pois bem, conversão é sinônimo de regeneração, que é o ‘batismo no ES’. A grande questão e que você chama de controvérsia, é que não são poucos os cecebeanos que foram orientados a acreditar que batismo nas águas do tanque santo da CCB é sinônimo de regeneração, de santidade, de salvação.

    É disso que venho falando…

    E obrigada por mostrar-se aberto a novas considerações.

    Em Cristo, que nos uniu a todos pelo Seu imenso Amor,

    R.

  2. Ooops!!! Perdão pelas repetições rsss é no que dá sair escrevendo o que ‘flui’ sem revisar. 🙂

    • REGINA,

      Um problema que confunde muito é a NOMENCLATURA, como designar cada obra distinta. Vejamos:

      1. A regeneração ou novo nascimento é uma obra do Espírito Santo. Todos quantos crêem em Jesus como seu único e suficiente salvador, são batizados ‘no’/’pelo’ Espírito Santo.

      2. O batismo nas águas é simbolo desta obra misteriosa. Na CCB, ocorre uma complicação: Acreditam que a regeneração somente acontece no tanque do batismo em resposta do pecador ao “CHAMADO DE DEUS”. Por isso, dificilmente, se referem à primeira obra como um batismo. Na CCB, não sou crente, não sou salvo, não estou regenerado até que tenha sido ‘lavado’ pelo batismo. Devido a isto, a irmãzinha não quiz namorar comigo. Se namorasse um pecador, estaria em pecado. Resumindo, creem que a pessoa foi batizada ‘pelo’ Espírito Santo nas águas.

      3. Há uma outra experiência espiritual com uma evidência (prova) física de que ocorreu – o falar em línguas. A CCB professa esta experiência no 7° ponto de doutrina: “CREMOS NO BATISMO ‘DO’ ESPÍRITO SANTO, COM EVIDÊNCIA DE FALAR NOVAS LÍNGUAS, CONFORME O ESÍRITO SANTO CONCEDE QUE SE FALE”. Esta experiência foi denominada aqui de Batismo ‘DO’ Espírito Santo, e em nosso meio dizemos que foram SELADOS COM A PROMESSA. Nas Assembleias de Deus (pelo menos na revista que estou lendo), falar em línguas é chamado de Batismo ‘COM’ Espírito Santo.

      Ficar defendendo e usando preposição não é a minha proposição.
      O que estou querendo dizer é que tudo isto causa confusão. Vejamos a frase que você citou:

      “… mas nem todos os salvos são batizados com o Espírito Santo no momento da conversão”. (frase da revista)

      Poderia ter sido escrita assim: “… mas nem todos os que foram batizados ‘no’/ ‘pelo’ Espírito Santo, falam em línguas no momento da conversão”.

      Então, como designar cada obra? Foi por isso que usei a expressão batismo de fogo no início do post, para distinguir cada obra. Em nosso meio dizemos que o que fala em línguas foi “SELADO COM A PROMESSA” e fica bem definido uma operação (batismo) da outra. Porém a bíblia diz que todos foram selados com a promessa. Então, como me referir ao falar em línguas sem confundir com outra obra do Espírito Santo? Vou tomar cuidado para sempre especificar a que estou me referindo.

      Mais uma vez no POST:

      “I – O que não é o batismo com o Espírito Santo?” Quis dizer: O que não é a experiência de falar novas línguas.

      “II – O que é o batismo com o Espírito Santo?” Quis dizer o que disse mesmo. Somente não comlementei que tudo acontece com a evidência de falar línguas.

      Daí surge mais problemas e perguntas: Somente quem fala em línguas recebe poder do alto? Somente quem fala em línguas é cheio do Espírito Santo?

      Ora, vejo crente que fala em línguas e deixou de produzir os frutos do Espírito;
      E vejo crente que não fala em línguas, carregado de frutos do Espírito.

      Tudo isto estou me questionando nesta meditação que estou fazendo, por isso está sendo ótimo ouvir as oiniões.

      Vamos ficar por aqui.

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