É ler para crer!

O texto foi originalmente postado no blog JovemCCB. Devido a seriedade do tema e a grande repercursão, resolvi postá-lo também aqui. >

Como uma ave plainando no céu que ora você avista e ora perde de vista, a homossexualidade nas igrejas é um assunto que fica indo e vindo. Por bom tempo fica imergido, mas sempre acaba vindo à tona e nos pegando de surpresa. Enquanto que para uns a questão é alheia, muitas famílias vivenciam o conflito entre homossexualidade e fé. Muitas vezes deixadas sozinhas sem a assistência da igreja.

 
‘Aos meus amados pais!
Mãe e Pai, achei que a melhor forma de conversar com vocês sobre este assunto seria escrevendo este texto, pois assim eu consigo organizar melhor minhas idéias(…) Sei que vocês me amam(…) Quero que vocês saibam que eu os amo muito(…) Também quero que vocês saibam que tenho adiado ter esta conversa com vocês por muito tempo(…) Mas eu não posso mais viver assim(…) Não posso passar toda a minha vida escondendo das pessoas que eu mais amo aquilo [que eu sou,] que está dentro de mim [de modo] involuntário(…) Quero dizer a vocês que… [sou gay]’.
 
O papel e o papelão. Estes são trechos da comovente carta de Brandon a seus pais. Ao lermos a carta percebemos que o processo para uma pessoa assumir-se homossexual, muitas vezes, é um caminho trilhado com muita negação, dúvidas, isolamento, incompreensão e lágrimas. Imagine ser surprendido com uma notícia desta. Uma crise se instala de imediato nas famílias. Eu não consigo me colocar no lugar deste jovem e, como pai, também não saberia lidar com a situação de momento. Mas uma coisa é certa: Não deixaria de amar meu filho.
 
A busca por respostas. ‘Eu tenho buscado respostas para mim mesmo, durante muito tempo, através da psicologia e também através da religião(…) Tenho conversado com outras pessoas, algumas que estão na mesma situação que eu(…) Busquei ajuda em Deus, orei muito, chorei, busquei muitas Palavras na igreja’. Mesmo que esteja obscuro, haveremos de encontrar o meio de ajudar os nossos irmãos. Precisamos encontrar as respostas – Se elas não vem e porque ninguém as têm, mas existem, pois o amor tudo vence. No processo de busca teremos que aprender a ouvir nossos irmãos, conviver com as diferenças “com toda humildade e mansidão, com longaminidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Ef 4:2) e, cada vez mais, examinar a palavra de Deus que é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho.
 
Certo que vai dar errado. Na tentativa de ‘tratar’ a homossexualidade, muitos investem contra ela arrumando um relacionamento hétero. O mesmo erro cometeu Brandon: Arrumei namoradas para tentar uma vida “normal”, dentro dos padrões estabelecidos, mas realmente nada resolveu'(…) Erro reconhecido por ele a tempo de evitar um casamento de aparências que arruinaria os dois e suas famílias: Veja o quanto a *** sofreu quando terminamos o namoro. Mas foi melhor ela sofrer naquela época do que sofrer depois, ela e toda a família, com um casamento arruinado. Na igreja, os próprios anciães, nas Reuniões da Mocidade, aconselham moços e moças que não se sentem atraídos pelo sexo oposto a não se casar, pois isto acaba trazendo problemas em longo prazo na vida do casal’.
 
A máscara e a face oculta. O drama narrado fez lembrar-me do que aconteceu com Lanna Holder, pregadora que fez muito sucesso no meio pentecostal, ficou famosa com o testemunho de ter sido liberta do lebianismo. Lanna não conseguiu sustentar o casamento e a mentira, declarou: “Para ser aceita na igreja, eu tive de professar algo que não estava acontecendo em ninha vida”. A farsa de Holder desmascarou também uma face da igreja – aquela que prefere conviver com a mentira que aceitar a realidade de ter entre seus membros uma pessoa homossexual.
 
Pela dor ou pelo amor. O filme “Prayers for Bobby” (Orações para Bobby) conta a história verídica de Bobby e Mary Griffth. Mary (Sigourney Weaver) é uma cristã devota que segue à risca as doutrinas de sua Igreja. Quando seu filho Bobby (Ryan Kelley) revela ser homossexual, ela passa a submetê-lo a terapias e ritos religiosos com o intuito de ‘curá-lo’. No entanto, Bobby não suporta a pressão e se atira de uma ponte, encerrando sua vida aos vinte anos de idade. Depois desse fato, Mary descobre um diário de Bobby e passa a entender de fato o que se passava na mente dele. (Wikipédia)
 
Minoria sim. Único não. Fico me perguntando: Quantos Bobbys e Lannas haveríam em nosso meio? Pessoas em conflito familiar ou que vivem uma vida de segredos – ‘Muitos irmãos e irmãs buscam os anciães para conselhos e depois eles repassam os mesmos conselhos na igreja para todos os demais. Então não pensem que eu sou o único assim na Congregação. Existe uma quantidade imensa de irmãos e irmãs como eu, e que também estão buscando a Deus de coração sincero’.
 
A Bíblia assim me diz. Nós, cristãos, cremos na Bíblia como infalível Palavra de Deus e aceitamos como verdade aquilo que ela nos diz. Dentro da ética cristã que é o comportamento dado como verdadeiro; homem com homem e mulher com mulher, não pôde (Rm 1:26,27). A sociedade vem reinterpretando a Bíblia procurando adequá-la à sua realidade quando deveriam adequar sua realidade à Bíblia. Atentemos para o que está escrito em 2Pe 3:16: “…torcem as escrituras para sua própria perdição”. Em contra-partida, segundo nosso manual de conduta, nenhum cristão pode ser homofóbico. O Senhor Jesus que nos ama indistinta e incondicionalmente, ao ensinar: “Amai-vos uns aos outros”; destacou: “como eu vos amei” (Jo 15:12).
 
Uma resposta ou a resposta? Lanna Holder voltou a viver com a mesma companheira e abriu uma igreja inclusiva em são Paulo. Mary Griffth ‘também buscando respostas na religião, Mary passa a interpretar de outra forma os textos bíblicos, passando a acreditar que a homossexualidade não é condenável, tornando-se uma ativista dos direitos dos homossexuais’ (Wikipédia). Percebo a mesma tendência no blog de Brandon. Reinterpretando a Bíblia até teremos respostas, mas não teremos a verdade. Poderemos até ser confortados por elas, mas não libertos.
 
Mãe ou madrasta? As pessoas que vivem o conflito entre homossexualidade e fé, por não receberem suporte da igreja, buscam sozinhas respostas para o seu dilema. Nesta jornada encontrarão algumas repostas que as confortarão. No entanto, se estiverem distorcidas da verdade as farão errar o caminho. Romanos 14:22 alerta: “Bem-aventurado aquele que não se condena naquilo que aprova”. A igreja não pode deixar estes irmãos entregues à própria sorte, e como mãe amorosa, deve se envolver nas discussões e dramas porque eles passam. A igreja não pode mais se esquivar e negligenciar o tema e sim tratá-lo com diligência sob a luz da Palavra, para poder dar orientações seguras e reconfortantes a nossos irmãos e suas famílias, como também à irmandade e a toda sociedade. Pois a igreja é para esta terra em trevas, e sempre será (refletindo Cristo) a luz do mundo.
 
Cena do filme “Prayers of Bobby” – Prestes a cometer suicídio:
 
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Comentários em: "Mamãe… sou gay! (1ª parte)" (1)

  1. Roberto Fernandez disse:

    roberto96130.blogspot.com/2010/12/alguem-pode-nascer-homossexual.html

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