
‘Por que as irmãs usam véu?’ Quem é membro da Congregação Cristã no Brasil – CCB, certamente já fez ou teve que responder a esta pergunta, pois é frequente aquele que nos visita ou o novo convertido inquirir a este respeito. É comum ao fazerem a indagação ouvirem a resposta: ’Porque é mandamento da Palavra de Deus’.
Na maioria das vezes se contentam, e raramente contestam a resposta. Acontece que há casos que esta colocação sofre forte objeção; e quanto mais são os questinamentos, menos são os argumentos da irmandade – Diante da pergunta que não cala, está a resposta que pouco fala – Ao percebemos que nossa resposta não foi satisfatória, damos conta do seu superficialismo e simplismoª; descobrimos que não convém ter frases prontas, senão a surpresa nos apronta; reconhecemos que é preciso saber mais para responder melhor, como aconselha a bíblia: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como nos convém responder a cada um” (Cl 4:6).
A boa resposta que “nos convém responder a cada um” não exibe apenas a capa, mas ilustra a idéia; não pode ter só título e sim conteúdo, pois não devemos dar como resposta um texto e desconhecer o contexto. Deixemos de superficialidade, uma resposta à altura tem profundidade.
Para temperar nossas palavras, este estudo nos fornece o ‘sal’ ao expor clara, objetiva e apologéticamente “O que você precisa saber sobre o fundamento do uso do véu”.
O texto a seguir é uma edição do post original “O fundamento do uso do véu” enviado por Romário Cardoso, que consistiu em melhorar a visualização para facilitar a compreensão. Salvo alguns complementos e comentários, foi preservada a integridade do texto e seu estilo literário.
Este edificante estudo é uma benção para toda a irmandade. Ao concluí-lo saberá dar, à pergunta inicial, a ‘boa resposta’.²
O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O FUNDAMENTO DO USO DO VÉU
Por: Romário Cardoso¹ (ver post original)
I – Introdução
As igrejas cristãs de todas as épocas e em todos os lugares, são concordantes entre si afirmando ser o nosso Senhor Jesus Cristo, a “cabeça” (autoridade) da igreja de Deus. Esse ensino (doutrina) pode ser observado em muitos textos das cartas paulinas (Ef 1:22; 4:15; 5:23; Cl 1:18; 2:10,19); no entanto, há um texto áureo nas Escrituras Sagradas, onde esse mesmo ensino é desenvolvido dando esclarecimentos muito profundos quanto ao seu significado – Falamos de 1° Coríntios 11.1-16.
O apóstolo Paulo preocupa-se, ao escrever tal ensino, em mostrar o interesse Divino em que seus filhos “saibam” (v.3) da importância ou significado da doutrina apostólica – surgi então, a questão do uso do véu pelas mulheres.
O ato do homem ‘descobrir’ a cabeça enquanto a mulher ‘cobre’ a sua, o que isto representa com relação a Deus, os anjos e a igreja? Na concepção apostólica, o que estamos proclamando quando obedecemos ou desobedecemos tal mandamento? Afinal, qual o fundamento do uso do véu? É isso o que veremos a seguir.
II- Universalidade e observância
Os destinatários
Antes de examinarmos o texto, devemos tomar cuidado, pois que tal epístola também é estendível aos Cristãos de todos os lugares, 1Co 1:1,2 (ARC-ARA-NTLH). Caso o contexto acima apontado esteja obscuro, que venha a dificultar o entendimento para algum irmão, irei expôr aqui, uma tradução de fácil compreensão, isto é, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje:
“Eu, Paulo, que fui chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Cristo Jesus, escrevo, junto com o irmão Sóstenes, esta carta à igreja de Deus que está na cidade de Corinto. Escrevo a todos os que, pela sua união com Cristo Jesus, foram chamados para pertencerem ao povo de Deus. Esta carta é também para aqueles que em todos os lugares adoram o nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1Co 1:1,2 – Nova Tradução na Linguagem de Hoje – NTLH – SBB ).
A recomedanção paulina
1.“Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo”
Paulo recomenda “sede meus imitadores”. Exortando ainda, deu-lhes o dever de “reter” (segurar firme; não abrir mão) os “preceitos” ou “tradições” (gr. paradosis = tradição), que é o mesmo que receber e transmitir ensinamentos à geração seguinte; assim, ele recebeu do Senhor e transmitiu à igreja. Devemos fazer como ele, imitá-lo no zelo de seguir a Cristo e seu ensino.
Elogio pela guarda dos preceitos
2.“E louvo-vos, irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim e retendes os preceitos como vo-los entreguei”
Era aprazível a Paulo, ver a igreja guardando os ensinamentos e se fortalecendo na fé. Por que a igreja não ouviria as novas instruções do apóstolo? Por segui-las retendo os preceitos a igreja recebeu elogios; uma mudança de atitude, em vez de parabéns, mereceria crítica.²
III – A igreja deve conhecer o siginificado
Quanto a cabeça
3.“Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo varão, e o varão, a cabeça da mulher; e Deus, a cabeça de Cristo”
Principiando a aplicação do ensino, Paulo ao escrever sob a atuação do Espírito Santo: “quero que saibais”, revela ser a vontade de Deus que saibamos, isto é, não sejamos ignorantes do significado daquilo que o Senhor havia ordenado. O primeiro significado importante é o simbolismo do vocábulo ‘cabeça’ (gr. kephalê), que se entende e interpreta por ‘chefia’ ou ‘autoridade’. Assim, Cristo é a ‘autoridade’ (cabeça) do homem, o homem ‘autoridade’ (cabeça) da mulher, e Deus é a ‘autoridade’ (cabeça) de Cristo.
Quanto ao homem descobrir a cabeça
4.“Todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça”
Sendo, portanto, cabeça figura de autoridade, o homem cobrindo-a estará ‘cobrindo’ ou ‘escondendo’ no culto, aquele que exerce autoridade sobre ele. Simbolicamente estará proclamando que a autoridade de CRISTO não está sendo reconhecida ali – estará desonrando sua cabeça. (desonra; gr. kataischunõ = confundir, humilhar, envergonhar).
Pergunto: Com este ato que simboliza que a autoridade de Jesus não está sendo reconhecida por estar ‘coberta’ ou ‘escondida’, quem estará exercendo a autoridade no culto? Certamente a resposta por trás desse ato é que há uma “outra” (gr. heteros) autoridade ‘descoberta’ na igreja que não seja a de Cristo. Assim, é bom voltarmos ao verso 3 e lermos, “mas quero que saibais…”
Quanto à mulher cobrir a cabeça
5.“Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada”.
Dando prosseguimento, neste verso o Espírito Santo nos transmite um ensino muito importante que “toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra sua própria cabeça”; dessa forma, quando a mulher não se cobre com o véu, estará proclamando através desse ato exterior que está desonrando o homem a quem está sujeita “porque a mulher é a glória do varão” (v.7); porque foi tirada do homem e criada para o homem (Gn 2:18-24). A glória da mulher é o cabelo dado como véu (v.14).
Lembrando da pergunta que foi feita anteriormente sobre quem estaria exercendo autoridade no culto se a autoridade de Cristo está coberta ou escondida, qual seria esta “outra” autoridade? A resposta é: a autoridade do homem – E isso não é tudo, pois a própria Escritura está ensinado de maneira irrefutável que, no ato do homem cobrir a sua cabeça (autoridade) e a mulher descobrir a sua cabeça (autoridade), “não só” o homem está exercendo sua autoridade (cabeça da mulher descoberta), mas a mulher está manifestando a sua própria ‘glória’ (v.14), enquanto a autoridade de Cristo e glória de Deus que deveria ser ‘descoberta e manifestada’, foi coberta, ocultada. Tudo isso no culto, que deveria ser para honra e glória de Deus. Quem isso afirma é a “Escritura” e não o servo de Deus que faz este comentário. O Senhor, na sua onisciência, não nos deixou um estatuto imperfeito, e devemos tomar todo o cuidado para que em nada possamos ofender a Deus e sua ‘Sabedoria’ – Cristo (1Co 1:24,30).
Quanto a ter uma só autoridade
Ficaria incompleta esta matéria, se não fosse exposta aqui uma questão: – Quando o homem está com a sua cabeça ‘descoberta’ e da mesma forma a mulher se apresentar com a cabeça ‘descoberta’ na reunião de adoração? – Nesta situação fica claro que, duas cabeças estão descobertas, assumindo (figurativamente) a autoridade na igreja, mas Deus estabeleceu, somente uma “cabeça” (autoridade) sobre a igreja – a de Cristo Jesus seu Filho amado.
Para evitar, duas autoridades quando a igreja estiver reunida para adoração, foi que o Senhor ordenou ao homem descobrir sua cabeça e à mulher cobrir a sua. Portanto, prezado irmão, não cubra sua “cabeça” na reunião dos santos; e você irmã, cubra a sua “cabeça” no culto, para que a “autoridade” do homem seja coberta e escondida, diante da supremacia de Cristo; com este ato estarás também cobrindo sua ‘glória’ (cabelo comprido) e somente é manifesta ‘uma’ glória – a de Deus; e somente ‘uma’ autoridade – a de Cristo Jesus, nosso Senhor. Aleluia!
Admoestação às mulheres
6. “Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu”.
Porém, se a mulher não se cobrir com véu, há o IMPERATIVO que “rape” ou que se “tosquie”. Esse imperativo é que, pelo fato dela não se cobrir, estará expondo sua “cabeça” (ou autoridade) à vergonha, desonra; assim, “rapando” a cabeça também estará destituída de “glória” (cabelo comprido), tornando assim, como as que rapam a cabeça, significando sem autoridade e sem glória. Destarte, se para ela é coisa indecente o tosquiar-se ou rapar, “que se cubra”, isto é, use véu.
“Que se cubra”, no original grego é katakaluptesthô, cujo verbo é katakaluptô, o qual está na 3ª pessoa do singular, no tempo PRESENTE do IMPERATIVO . Assim, o véu de que aqui se fala não é o ‘cabelo’ do verso 15; pois, presentemente, Paulo não iria ordenar às nossas irmãs a pôr cabelo (?)quando estavam na reunião de adoração, naquela época, creio eu, não existia ‘implante de cabelo’ como nos dia atuais (só se for peruca). Assim , como o verbo está no modo IMPERATIVO, é uma ordem ou mandado.
IV – Refutação com auxílio bibliográfico
Mandamento ou costume oriental
Este ensinamento de 1° Coríntios 11. 1-16, contém doutrina para o homem e para a mulher, e se opõe ao que alguns intérpretes sugerem, dizendo ser um ‘costume’ puramente oriental. A Escritura contradiz abertamente esses intérpretes, ao dizer: “O homem, pois, não deve cobrir a cabeça” (gr. ouk opheilei katakaluptesthai), significa literalmente “não deve trazer algo sobre [a cabeça]”.
“Acompanhado de um advérbio de negação ‘ouk’, o presente do imperativo proíbe uma ação que está em andamento, ou que está se repetindo, deve cessar, deve acabar”. (Noções do Grego Bíblico – Gramática Fundamental , pág. 269).
“Não pode haver verdadeira teologia bíblica, a menos que seja baseada em exegese bíblica sã, e não pode haver exegese bíblica sã, a menos que seja posto um firme fundamento textual e gramatical”. ( F. F. Bruce – Chefe do Departamento de Literatura de História Bíblica da Universidade de Sheffield – Dicionário Vine).
Obs: Tal mandamento proibitivo ocorreu pela presença de cristãos judeus (Atos 18:4), pois, estes, segundo o costume e ensino rabínico “cobriam” (e cobrem) suas cabeças quando oravam. Vejam 1Co11.1-16 não está transmitindo “costume” do judaísmo aos gregos, pois aqueles cobriam e cobrem a cabeça, até ao dia de hoje. O texto “PRO-Í-BE” !!!
Quem realmente conhece os costumes do judaísmo e até mesmo entre os muçulmanos, sabem que estou falando a verdade. Os ensinos do apóstolo à igreja, diferem dos costumes da época, aliás, é nova, pois faz parte da “boa nova” do evangelho.
Nova instrução ou antiga tradição
Na “Nova Enciclopédia Barsa, volume 13, pág. 458” no assunto “Talmude”, observa-se os rabinos “lendo” (ensinando) o Talmude com a “cabeça” coberta, como um reflexo de que não reconhecem a “autoridade” (cabeça) Messiânica de Jesus! Destarte, no “Dicionário Vine”, que mostra o significado Exegético e Expositivo das palavras do Antigo e Novo Testamento, no vocábulo “descoberta”, contém as seguintes afirmações :
‘Descoberta (‘akatakaluptos’), fornecido de a, elemento de negação, e cobrir (‘katakaluptô’), é usado em 1Co 11:5,13 (“descoberta”), com referência à injunção proibindo as mulheres estarem sem “véu” ou “descobertas”nas reuniões da igreja, pouco importando que tipo de cobertura seja, deve estar na cabeça como “sinal de poderio” ( I Cor.11.10), cujo significado é indicado em 1 Cor. 11.3 no assunto de supremacia, e cujas razões são dadas em 1 Cor. 11.7-9 e na frase “por causa dos anjos” (1 Cor. 11.10), intimando o testemunho e interesse deles naquilo que indica a supremacia de Cristo. As injunções não eram nem judaicas, que exigiam que os homens cobrissem a cabeça na oração; nem gregas, pelas quais homens e mulheres ficavam igualmente com a cabeça “descoberta”. As instruções do apóstolo Paulo eram “mandamentos do Senhor” (1Co14:37) e eram para todas as igrejas’(1 Co 14.33,34) (Dicionário Vine-CPAD, pág. 547). OBS: O Dicionário Vine é aprovado pelo “Conselho de Doutrina da CPAD”.
Para quem ignora o significado de “injunção” é MAN-DA-MEN-TO. Em o “Manual da Escola Dominical” (publicação da CPAD) pág. 81, o qual ensina a diferênça entre “costume e doutrina”, ensina que um costume é LOCAL mas uma doutrina é GERAL! Conforme demonstrado no início da matéria a epístola aos Coríntios é estendível aos cristãos de TODOS os lugares; também, demonstrado pelo Dicionário Vine, as instruções do apóstolo Paulo, no assunto supracitado, eram para TODAS AS IGREJAS.
Usos diferentes
Como já demonstrado acima pelo “Dicionário Vine”, as mulheres no mundo grego pagão não cobriam as cabeças (igualzinho nos dias de hoje), nos cultos, e ordena as que estão em Cristo para “cobrir” (v.6). Ora, a mulher que verdadeiramente está revestida de submissão interior, não se revestirá de submissão exterior ao mandamento Divino (escreveu sob inspiração) em cobrir a “cabeça” (autoridade) na reunião de adoração?
Outrossim, no mundo oriental judaico e árabe, as mulheres são proibidas ao saírem de casa ( Nova Enciclopédia Barsa , volume 8, pág. 226, vocábulo “Israel”) seja onde for, de se apresentar em público com a cabeça “descoberta” (amostra em figura).
O Espírito Santo em 1Co 11:1-16 ensina totalmente diferente, quando não estiverem no ajuntamento santo (seja onde for) o cabelo é dado em lugar de véu, ocupando o lugar, não orando ou profetizando (v.15).
A prova do que estou afirmando? É a Escritura, única fonte da verdade que emana de Deus! Ao ordenar “que ponha o véu”, o verbo “pôr” está na 3ª pessoa, no modo imperativo do presente, impossível maior clareza! Isso mostra e indica que “antes” de estar no culto, no ajuntamento santo, a mulher se encontrava sem o véu, o cabelo, como diz o texto, estava ocupando o lugar, para isso foi dado em lugar, mas quando ora ou profetiza, “que ponha” o véu, já não é o cabelo, isso já foi esmiuçado anteriormente, assim, a conclusão é: ‘A Escritura não diria “que ponha” se elas viessem de fora com o “véu” (mantilha), mas que “permaneça” (Katakalupteshô) ou “continue”. ‘Katakaluptesthô’ cujo verbo é ‘katakaluptô’, está no modo imperativo expressando uma ordem ou mandato. Nesta passagem, a vontade apela direta e afirmativamente à outra’ ( Noções do Grego Bíblico).
O tempo verbal grego ‘koinê’ PRESENTE indica que o verbo, no caso acima, não está ligado ou preso ao passado, mas “que está acontecendo, estado incompleto, em andamento” (onde?) Nos países onde a mulher é proibida em sair de casa tendo a cabeça descoberta, não há problema algum em obedecer, uma vez que a palavra de Deus está regulando um problema interno, o modo do homem e da mulher se apresentar na reunião de adoração, referente ao culto, e não de um problema externo.
V – Estendendo o véu (sobre a mulher)
Entendendo a questão da glória
7. “O varão, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão”.
Da mesma forma que a mulher tem mandamento de cobrir a “cabeça” (autoridade), o homem tem igual mandamento de “descobrir” a sua “cabeça” (autoridade) por ser “imagem e glória de Deus”, mas a mulher é a “glória do varão”; de fato, a “glória de Deus” não pode ser “coberta” ou “escondida” na igreja, mas descoberta e manifestada. O ato do homem não cobrir sua cabeça física, é um reflexo espiritual de que a glória de Deus, juntamente com a autoridade de Cristo se faz presente, quando nos reunimos para adorá-lo. Irmãos, o significado do ensino de 1° Cor. 11.1-16 é mui belo e maravilhoso, nos tráz conhecimento daquilo que foi dito no princípio: “Quero que saibais”.
Iguais em valor, diferentes em função
8,9. “Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher, do varão. Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher, por causa do varão”.
Os versos 8 e 9, nos leva de volta à narração da criação, em Gênesis, não para mostrar “superioridade” do varão em relação à mulher; pois, diante de Deus, homem e mulher são iguais em valor, em importância; todos foram comprados pelo mesmo preço de Sangue ( Gl 3.28; I Cor. 12.13), o ensino é que, numa adoração conjunta, ambos tem “funções” representativos na igreja concernente à “cabeça” (autoridade), funções estas que devem ser respeitadas à luz da palavra de Deus.
Homem e mulher desempenham papéis diferentes, e Deus tem um propósito digno e edificante para cada um. (Ricardo Alexandre)
A vigilância dos anjos
10. “Por isso a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio por causa dos anjos”.
Assim, amados, o uso do véu também tem uma “causa”, essa causa são os “anjos”; “deve” (gr. opheilei) vem de “dever”, obrigação resultante dos preceitos ou mandamentos da honra. Essa afirmação da Escritura derriba por terra o fraco argumento ou disfarce da “cultura” como muitos afirmam. Pois, os anjos são celestiais. Destarte, eles já presenciaram insubordinação no céu (João 8:44; Ap.12:7-8-9) como também na terra (Gn 3.11-Vs). Ou pensa o caro leitor que os anjos não estão mais ativos na igreja do séc. XXI, nos dias atuais, nos observando?(Lc 1.19; Hb 1.14; Sl 34.7). Essa subordinação à autoridade de Cristo no culto, é algo que os próprios anjos compreendem quando a mulher se cobre e o homem descobre a sua cabeça.
Há os que afirmam que o uso do véu era por “causa” das prostitutas cultuais existentes em Corinto, tal interpretação é uma aberração à regra fundamental da hermenêutica - “A Bíblia interpreta a própria Bíblia, ou seja, a Bíblia por si mesma se explica”! E, a bíblia se explicando, diz que é por “causa” dos anjos, nós na CCB, não temos o “costume” de confundir “anjos” com “prostitutas”, o que é uma “o-fen-sa” à palavra de Deus e aos anjos !!! Assim, com este ato de submissão por parte da igreja à Cristo, os anjos se regozijam ao contemplarem que a igreja reconhece unicamente a autoridade de Cristo e uma glória (de Deus) sendo manifestada no ato de cobrir (a mulher) e descobrir (o homem) a cabeça na reunião de adoração e, o nosso Deus é glorificado.
Submissão não é inferioridade
11,12. “Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher, sem o varão, no Senhor. Porque, como a mulher provém do varão, assim também o varão provém da mulher, mas tudo vem de Deus”.
Dando continuidade, os versos 11 e 12, nos ensina que tanto homem quanto mulher provém um do outro, dependendo assim mutuamente no Senhor, e que todas as coisas provém de Deus; isto é, o nosso Deus é Soberano e independente.
Submissão não é uma condição imposta, é uma atitude generosa e piedosa
Instruída, a igreja é chamada a análise
13. “Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?”
No verso 13, a igreja que estava em Corinto deveria julgar a questão do véu, entre eles mesmos, porém, sempre pautados nos ensinos do apóstolo, tanto é que, a mesma igreja precisava de suas orientações, sobre várias “coisas” (1Co 7) não tendo, portanto, como resolver por si própria, assuntos doutrinários. E a resposta esperada seria um “não”, pois caso pendessem para as mulheres estarem com a cabeça “descoberta” na reunião de adoração, deveriam “rapar ou tosquiar” a cabeça (1Co 11.6), o que seria uma desonra ou ausência de glória, portanto uma ordem para a mulher rapar ou tosquiar-se caso contendessem o ensino apostólico.
O cabelo em lugar de véu
14,15. “Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelo crescido; Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu” (v. 14,15).
É ensino apostólico o homem não usar “cabelo comprido” (gr. komaô) por ser “desonroso”, por outro lado para a mulher o usar “cabelo comprido”(gr. komê) lhe é uma “glória” ou “honra”(gr. doxa = honra , glória). Por isso mesmo o cabelo comprido lhe foi dado em lugar de véu. Ora, sendo o homem a “glória de Deus”, e a mulher “glória” do homem, porventura a mulher ficará sem “glória”? É óbvio que não. Pois, o texto afirma que o cabelo comprido lhe é uma “glória”. Por essa razão mesmo, de ser para ela uma glória, no culto ela tem de “cobri-la”, e quando se cobre, estará cobrindo a “glória do homem” juntamente com sua própria glória; Deus é glorificado tendo a sua glória descoberta na igreja,pois essa glória mediante esse ensino, indica que Ele não quer dividir com ninguém !
O cabelo lhe foi dado em lugar de véu, quando a sua cabeça se encontrar descoberta, não na reunião de culto e adoração a Deus. O Senhor, em sua sabedoria, não deixou um tamanho padrão para o comprimento do cabelo, pois, o crescimento do cabelo pode variar de mulher para mulher, sou cabeleireiro e falo com conhecimento de causa; “komê”, indica não pôr empecilho ou obstáculo para impedir o crescimento do mesmo.
Também, é digno de nota atentarmos para a expressão do verso 15 que diz, “foi dado em lugar de “cobertura” (véu ); esse “foi dado” (gr. dedotai) indica o tempo “passado”, anterior à reunião de adoração a Deus; enquanto o verbo “cobrir” ou “pôr”( verso 6) indica o tempo “presente”, encontrando-se no ajuntamento santo . Assim, o cabelo é dado em lugar de véu não estando a mulher na reunião da igreja, no caso de se encontrar a igreja reunida, eis o mandamento para a mulher, que se encontra no tempo presente, “QUE SE CUBRA”. Tem mais, ainda não acabei, a expressão “ cobrir”(gr. katakaluptô) a qual se encontra no verso 6, referente em cobrir-se com véu, difere da expressão em lugar de “cobertura” (gr.peribolaion), o substantivo deverbativo ‘peribolaion’ arremete para o verbo ‘perilabô’ que significa “lançar, colocar ao redor”.
VI – Redarguindo as objeções
Quem for contra, seja contrariado.
16. “Se alguém quiser ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume e nem as igrejas de Deus”
Ora, ‘contencioso’, nada mais é do que aquele que não está revestido de submissão ao ensino supracitado. “Contencioso” (gr. philoneikos) é o mesmo que “amante da contenda, litigioso, brigão”. Paulo encerra o assunto dizendo: “saiba que nós (ministério) não temos tal ‘costume’ e nem as ‘igrejas’ (plural) de Deus” .
Assim, é verídico o que escreveu o nosso amado irmão Ismael:
’A correta aplicação deste ensino nos remete à relação de autoridade que existe entre Deus e os homens. O véu ilustra um ensino de Deus, é símbolo de algo maior e ilustra uma relação de ordem na criação de Deus’. (Ismael)
Também, o doutor Robert H. Gundry, no tocante ao uso do véu, faz um comentário: ‘O véu cobria a cabeça, e não o rosto. Era, ao mesmo tempo, símbolo da subordinação da mulher ao homem e do respeito que a mulher merece. As mulheres cristãs de Corínto, no entanto, mui naturalmente estavam seguindo os costumes das mulheres gregas, as quais conservavam a cabeça descoberta quando adoravam. Por conseguinte, Paulo assevera que é vergonhoso uma mulher cristã orar ou profetizar na igreja com a cabeça sem véu. Por outro lado, Paulo se manifesta contrariamente à prática dos homens judeus e romanos, os quais oravam com a cabeça coberta, e ordena que os varôes crentes orem e profetizem de cabeça descoberta, como sinal da autoridade de que estão investidos’. (Panorama do Novo Testamento – Robert H. Gundry, Ph. D. – pág. 314).
Crítica à validade temporária
Alguns comentaristas afirmam que o significado “interno” da submissão contida em 1Co11.1-16 permanece; enquanto o ato “externo” do uso do véu “não é válido” (?) para os dias atuais. Tais comentaristas se encontram revestidos de tamanha “autoridade” (?) que se acham no direito de suprimir este ou aquele MANDAMENTO, suplantando assim, a autoridade da própria SAGRADA ESCRITURA, definindo assim, qual mandamento é válido ou…“vencido” (?). Destarte, ignorais, que a “insubmissão do ato” externo, não põe a descoberto a insubmissão do homem interior, do EGO? Irrefutalvelmente, SIM! Será, que a “autoridade” (?) deles é superior à autoridade apostólica ? Vejamos, pois, a “origem” do que Paulo ensinava e pregava: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não recebi nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gl 1.11-12; I Cor. 14.37 – ARC).
Assim, essas “coisas” que Paulo escreveu, era, e é destinada aos Cristãos de “TODOS” os lugares. Esse mandamento do Senhor é para a mulher se “cobrir” no culto de adoração, mas o silogismo dos homens ( Ef. 4.14) ensina na “contramão” da palavra de Deus, dizendo que…“não precisa”ou “não é válido”(?) para os dias atuais.
VII – Explanações finais
Por trás do véu
Jesus e a igreja – sua noiva – formam um corpo misterioso do qual Cristo é a cabeça. A igreja, perante seu senhorio, se sujeita; perante sua autoridade, curva a cerviz; perante sua majestade, dobra o joelho.
O casal é uma só carne, um corpo do qual o homem – imagem e glória de Deus – é a cabeça; porque a mulher sendo igual em valor é segunda na criação; criada para o homem; portanto, a glória do varão.
Assim como a igreja está sujeita a Cristo, a mulher está sujeita ao seu marido (Ef 5:22-25;Cl 3:18) e deve trazer na cabeça um sinal, um símbolo de sua honra por estar debaixo desta autoridade. O cabelo lhe foi dado como véu para lembrá-la disso se tornando sua glória.
Jesus sendo em forma de Deus, tomou a forma de homem, por isso é a cabeça de todo o homem. Sendo Senhor da Glória foi achado em forma de servo humildade, ensinando que todos os seres e todas as coisas estão sujeitas a Deus, a cabeça de Cristo.
Quando em adoração o homem não deve cobrir a cabeça, porque estaria cobrindo a autoridade de Cristo e a glória de Deus. Quando em adoração a mulher deve cobrir a cabeça para cobrir a autoridade e as glórias humanas; a fim de que no culto seja reconhecida somente uma autoridade a qual a igreja esteja submissa – a de Cristo Jesus Senhor; e manifestada apenas uma glória – a glória de Deus.
‘A prática usual é um preceito, a doutrina um princípio; Os preceitos apontam para os princípios, não o contrário. Um princípio é aquilo que está por trás do preceito (Pr José Gonçalves)’ – Assim sendo, a submissão da mulher ao marido; da igreja à Cristo; de todos os seres a Deus é a doutrina por trás do véu.²
Conclusão
O ensino contido em 1° coríntios 11.1-16, conclui enfaticamente que o Senhor Jesus é a única “cabeça” (autoridade) descoberta na igreja, e que somente uma “glória” é manifestada em nosso meio – a Glória de Deus. O uso do véu pelas irmãs deve, não só ser aplicado, pois, também envolve o interesse Divino em que seus filhos “saibam”( I Cor. 11.3 ) da importância da figura ou significado existente em 1º Cor.11.1-16, e o que isso representa para Deus, para os anjos, à igreja e para a doutrina apostólica.
Vimos que o uso do véu não é infundado; tem fundamento. É um preceito, não espontâneo do homem, mas que nos foi entregue. E foi entregue, não só para alguns, mas a todos. A todos, não só de uma geração, mas de todas as futuras gerações. Portanto, segundo este estudo e predicados, o véu é uma autêntica doutrina bíblica, pois sua origem é divina, não humana; seu alcance é universal, não apenas local; sua duração é eterna, não temporária. O uso quãoquanto doutrina deve ser observado como prática piedosa.
Usamos o véu porque retemos o preceito que nos foi entregue, tal como a igreja primitiva o fazia sob recomendação apostólica; não enxergamos na nossa prática o cotume oriental ou uma tradição humana e secular; usamos o véu para cobrir a autoridade e glórias humanas pois ao Senhor Jesus rendemos toda honra e glória; usamos o véu em sinal da própria honra e dignidade da mulher porque sem véu é como se estivesse descoberta de glória, por isso foram exortadas: “que ponha o véu“ em veneração, decência e submissão. Sabemos que Deus é amor, ao investigar os corações e saber o que está no interior, pondera o ato exterior; mas a nós deu-nos este entendimento no qual perseveraremos e ser-lhe-emos fiéis.
Memorize: Vimos que o uso do véu não é infundado; tem fundamento. É um preceito, não espontâneo do homem, mas que nos foi entregue. E foi entregue, não só para alguns, mas a todos. A todos, não só de uma geração, mas de todas as futuras gerações. Portanto, segundo este estudo e predicados, o véu é uma autêntica doutrina bíblica, pois sua origem é divina, não humana; seu alcance é universal, não apenas local; sua duração é eterna, não temporária. Seu uso quãoquanto doutrina deve ser observado como prática piedosa²
Objetivo
A matéria acima foi elaborada para mostrar que o ensino de 1° Coríntios 11.1-16, não se coaduna com o costume da época; é diferente, “santo” (separado) e NOVO!¹
O estudo teve por finalidade instruir a irmandade quanto a doutrina na qual o véu está compreendido, para “que saibais” de todo o contexto e “retendo firme a fiel palavra, que é conforme a sã doutrina, seja poderoso tanto para admoestar com a sã dourina, como para convencer os contradizentes” (Tt 1:9). Assim os irmãos terão condições de redarguir aos contenciosos (v.16) como requer a Bíblia: “estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razõ da esperança que há em vós” (1Pe 3:15); e saberão dar à indagação – Por que as irmãs usam véu? – a ‘boa resposta’.²
Reflexão
A igreja foi questionada e chamada à reflexão: “Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?” (v.13). Prezado leitor(a), deixo aqui também uma pergunta: Muitos dizem que não precisa a mulher se cobrir com véu; A quem tu serves e procuras agradar, aos “homens ou a Deus?” (Gl. 1.10).
Pense nisso!!!
Saudação
Sejam abençoados ricamente, e; Que a paz de Deus, a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, e a comunhão do Espírito Santo sejam convosco. Amém.
Romário N. Cardoso
1. Romário N. Cardoso é membro da Congregação Cristã no Brasil desde a data de 11 de julho de 1993, sendo chamado às fileiras do Exército do Senhor Jesus, para “combater pela fé que uma vez foi dada aos santos”.
2. Ricardo Alexandre
a. Simplismo: Vício de raciocínio que consiste em desprezar elementos necessários à solução; emprego de meios simple; (é querer convencer sem saber explicar o porquê)

Comentários em: "O que você precisa saber sobre o fundamento do uso do véu" (5)
Irmão Ricardo, Deus o abençoe, vejo que inspiração não lhe faltou. Eu não sabia desse melhoramento feito no texto. Está perfeito!
Como lhe prometí, meu texto já está a caminho. Gostaria que o irmão transportasse o que fez aquí para aquele. Assim que chegar, me avise por email. Não se esqueça do convite que lhe fiz.
Novamente lhe agradeço pelo novo molde dado ao texto.
Está perfeito!
Shalom.
Romário N. Cardoso
Deus vos abencoe.
Nao entendo como que mesmo terminando a frase .Porque o cabelo lhe foi dado em lugar de veu.como associa-lo a um tecido.
soltar os cabelos quando estao presos tambem pode ser considerado por o veu.
Comentário à resposta da Luciana:
“O cabelo lhe foi dado em lugar de veu” a preposição DE quer dizer que o cabelo é lugar DE colocar véu e não em lugar DO véu, nao quer dizer que o cabelo substitui o uso DO véu. Espero ter ajudado a esclarecer.
Deus te abençõe.