Quem tem um século de vida tem história para contar. Preferimos exaltar nossas conquistas que rever nossas quedas e preferimos ouvir elogios aos nossos feitos que críticas aos nossos defeitos. No entanto, tal como uma família, a igreja tem os seus problemas – o idealismo, o obscurantismo bíblico, dissidências, partidarismo e, recentemente, o liberalismo teológico fazem parte dessa história. E tal como uma família, a igreja deve estar unida para resolvê-los, pois somente com unidade de propósito e espírito teremos êxito.
Feitos. Cem anos de história e a Congregação Cristã no Brasil – CCB se consolidou como uma das maiores denominações do país. Com ‘presença bradesca’ no território nacional a CCB se fez itu e bela como a nossa terra; bem diz o hino comemorativo do centenário “Em cada cidade do nosso céu a Congregação estendeu seu véu”; e sua orquestra é considerada a maior do mundo.
Defeitos. Contudo, apesar da imponência a igreja do véu vive seu momento mais crítico; quem a viu e quem a vê, também quem pesquisa e lê, pode dizer: “Não és a mesma”. Sua orquestra depois que passou a admitir somente homens ficou ‘machucada’, e, se na parte material progride; na espiritual, regride – Os Dons, entre eles o falar em línguas, são cada vez menos dispensados e com a mesma velocidade que desaparecem, a igreja se conforma.
Eis a questão. Se o fenômeno requer nossa atenção, a reação dos irmãos ao mesmo merece nossa preocupação. Fica a pergunta, como reverter a situação e tirar a irmandade deste estado de sonolência?
“Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef 5:14).
Eis a resposta. A CCB não sabe, mas precisa sofrer um ‘avivamento’. Um avivamento bíblico e pentecostal é a solução para todos os problemas históricos, atuais e emergentes da igreja. Se a marcha saiu do ritmo devemos imitar os primeiros passos; no nosso caso específico, para prosseguirmos adiante devemos olhar para trás.
“Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade. Lembra-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras” (Ap 2:4,5a)
Avivamento. É uma intervenção divina na igreja com efusão de poder que traz despertamento, renovação e restauração, fazendo-a retornar ao propósito de Deus. O termo não é conhecido da irmandade (membros) da CCB, o vocábulo não é usado por nossos ministros em seus sermões nem profetizado em nossos púlpitos, por isso mesmo não é clamado em nossas orações.
“Todos os ministros devem ser ministros de avivamento, e toda pregação deve ser pregação de avivamento” (Charles Finney).
Pobre igreja rica. (Recomendo a leitura da sétima carta às igrejas da Ásia – Ap 3:14-22). A igreja de Laodicéia era próspera material e socialmente o que causava a sensação de saciez e ilusão de estar integralmente abençoada: “Rico sou e estou enriquecido”. Toda esta provisão material lhe trouxe o engano da auto-suficiência – “de nada tenho falta” – que a levou à mornidão espiritual. Seus ambientes de culto eram de muita confraternização e de pouca adoração, sentia-se mais afortunada que outras igrejas tornando-se hipócrita, orgulhosa e exclusivista – “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e nu” (v.17). Para não cairmos nessa cilada a Palavra de Deus nos exorta: “se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração” (Sl 62:10).
O que acontece muitas vezes é que, quando estamos muito supridos das dádivas providenciais de Deus, temos pouco de sua graça; contentes com a terra, ficamos satisfeitos sem o céu (Spurgeon)
És morno… A CCB nasceu pentecostal depois declarou-se não-pentecostal; com relação a este movivemto escreveu: “não temos nada a ver” (Tóp. 23 Ass. 1991) – mas tens o falar; não aceita a classificação porque não gosta de comparação; nega o que dizem que ela é, porém o que diz ser (a Graça de Deus), definitivamente, não é. Ora, se não é nenhuma coisa nem outra, nem quente nem fria, é morna. Somos ensinados: “A vossa palavra seja sim, sim e não, não; para que não caias em condenação” (Tg 5:12b). Uma igreja morna é reprovada por Deus: “Assim, porque és morno, que nem és frio ou quente, vomitar-te-ei da minha boca” (v.16).
O camarada (ou a igreja) fica tão satisfeito com sua situação e acomoda-se de tal maneira que só falta pedir para Jesus não voltar (Silas Malafaia)
…E não sabes. Embora o avivamento seja um ato soberano de Deus, só acontecerá em resposta do clamor do seu povo, isto é, para acontecer a igreja precisa querer. Porém uma igreja morna tem a visão embaçada pelo idealismo e não enxerga que está nua do poder de Deus, não percebe que está pobre dos dons espirituais, fica indiferente aos sinais à sua volta, não reage ao secularismo entregando-se ao comodismo, não reconhece que é falha, portanto não se arrepende. Por isso eis o Senhor amorosamente recomendando o avivamento: “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio para que vejas” (v.18).
Colírio para os nossos olhos. Quando ou em que situação a igreja necessita de um avivamento?
Quando deixa de reportar-se à Bíblia como a infalível Palavra de Deus, passando a crer na Bíblia apenas como “contendo” a infalível Palavra de Deus;
Quando usurpa seu Senhor ensinando ser a instituição religiosa a Graça de Deus ou a expressão total e exclusiva da Obra de Deus;
Quando ensina que o ritual do batismo é o meio por qual seremos salvos e que suas águas nos purifica dos nossos pecados;
Quando ensina que a observância de costumes denominacionais são, de igual modo, requisitos para a salvação;
Quando a igreja torna-se insípida e não evangeliza negligenciando que “vós sois o sal da terra”;
Quando a igreja passa a acomodar-se com o mundo ao invés de incomodá-lo com sua radiante luz negligenciando que “vós sois a luz do mundo”;
Quando, embora gigantesca, sofre de nanismo na obra missionária;
Quando seus ministros corporatizam-se para a obtenção e detenção do poder;
Quando cargos são negociados e o corpo ministerial fica elitizado e nepotizado;
Quando aparenta piedade mas nega sua eficácia pela indiferença com os desviados e parados;
Quando ignora sem refutar as reivindicações dos membros alimentando dissensões;
Quando seus ministros causam dano aos irmãos desalojando-os fechando casas de oração;
Quando “…é Satanás que governa, em forma de homem, para seduzir o povo de Deus com sabedoria humana” (L. Francescon).
Quando quaisquer dessas coisas acontecerem, a igreja estará precisando de um avivamento. ” E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono” (Rm 13:11a).
Despertando do sono. Cris¹ é hoje uma bela adormecia precisando ser despertada. Seu sono é comparado à morte (Ef 5:14). Evidente que a CCB tem boas obras, mas antes de exaltarmos os nossos feitos leiamos: “Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estas morto” (Ap 3:1). Com os olhos abertos a irmandade terá revelações e a mocidade visões; como o profeta Isaías teve os lábios purificados após ter os olhos abertos (Is 6:5-7), nossos lábios também serão; irmãs e irmãos profetizarão e falarão novas línguas. É o que a Bíblia diz em Joel 2:28.
A segunda glória. Uma igreja avivada é pentecostal; Uma igreja avivada é missionária; Uma igreja avivada é integralmente abençoada. Um real avivamento alcança os desviados e une os separados; Um real avivamento tem dispensação de dons e poder; Um real avivamento é a vontade do Senhor para a sua greja. Portanto, pensemos em avivamento, respiremos avivamento, falemos de avivamento nos átrios e corredores das casas de oração como nas visitas e ‘tocadas’ e clamemos por avivamento então “A glória desta última casa será maior do que a primeira; e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos” (Ag 2:9).
Conclusão. Avivamento é a solução dos problemas da igreja; é ouro para enriquecê-la, vestes para sua nudez, colírio para seus olhos. Por isso seja esta nossa reação e oração:
“Ouvi, SENHOR, a tua palavra e temi; aviva, ó SENHOR, a tua ‘obra’ no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na tua ira lembra-te da misericóridia” (Hc 3:2).
SOU CCB, SOU 100!





